Diversas marcas começaram a utilizar influenciadores gerados por inteligência artificial (IA) para promover produtos nas redes sociais no Reino Unido, segundo uma investigação publicada pelo The Guardian.
O jornal britânico indica que as empresas estão a recorrer cada vez mais a conteúdos que simulam experiências reais de clientes, sem identificar que se tratam de criações de IA.
De acordo com a investigação, no Reino Unido não existem regras que obriguem as empresas a informar os consumidores quando os anúncios incluem conteúdos gerados por IA. O artigo sublinha também que as novas regras da União Europeia (UE), previstas para entrar em vigor em agosto, vão exigir que conteúdos gerados ou manipulados por IA, como imagens, áudio e vídeo deepfake, sejam identificados como tal, mas essa obrigação não será aplicável no Reino Unido.
A utilização de influenciadores virtuais gerados por IA em conteúdos comerciais coloca questões de transparência para marcas, plataformas e consumidores, em particular quando a comunicação se apresenta como uma experiência de cliente. O tema tem implicações para o retalho e para a relação entre marcas e consumidores em canais digitais, onde a confiança no conteúdo publicado influencia a perceção sobre produtos e empresas.
A organização britânica de consumidores Which? defende que os consumidores devem ser claramente informados quando são divulgados anúncios que incluem influenciadores gerados por IA.
Lisa Barber, editora de tecnologia da Which?, afirmou que uma investigação recente da entidade sobre deepfakes nas redes sociais concluiu que “70% das pessoas não conseguem identificar corretamente todos os vídeos reais e falsos que lhes mostrámos, o que significa que os consumidores podem estar frequentemente a ser induzidos em erro por conteúdos gerados por IA e tornar-se alvos de burlas”.
A responsável acrescentou: “É preocupante que os consumidores não consigam confiar no conteúdo que veem online. As empresas devem ser transparentes quando o conteúdo foi criado com recurso a IA, particularmente se influenciadores gerados por IA estiverem presentes nesse conteúdo.”
A análise refere ainda que a tecnologia pode ser usada em fraude financeira. Embora este tipo de fraude não seja novo, a IA permite criar identidades falsas mais convincentes, através de documentos gerados por modelos de imagem, comunicações profissionais produzidas por IA e vídeos de integração com rostos deepfake e padrões de voz clonados.

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