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Pressão da Temu e Shein pode acelerar viragem online da Primark?

Sacos Primark iStock
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A Primark estará a preparar a entrada nas entregas online, numa mudança estratégica relevante para uma marca que, até agora, tem resistido ao e-commerce transacional. Segundo a Retail Gazette, que cita informação avançada pelo The Times, a retalhista de moda terá avaliado a aquisição de um centro de fulfilment da Asos em Lichfield, Staffordshire, como possível via para lançar entregas ao domicílio.

A operação acabou por não avançar, uma vez que o armazém foi vendido à Marks & Spencer por 67,5 milhões de libras. A unidade, com 437 mil pés quadrados, tinha sido modernizada pela Asos e concebida para operações de e-commerce, incluindo capacidade de automação para processamento de encomendas diretas ao consumidor.

A eventual entrada da Primark nas entregas ao domicílio representaria uma alteração profunda ao modelo da empresa, historicamente assente em lojas físicas, elevada rotação de produto e preços baixos. A marca tem defendido, ao longo dos anos, que as margens reduzidas tornam difícil justificar os custos associados ao fulfilment e às devoluções no comércio online.

Apesar dessa resistência, a Primark tem dado passos graduais no digital. Em 2022, lançou o serviço de click & collect e, no mês passado, introduziu uma aplicação móvel para clientes no Reino Unido, destinada a apoiar esse serviço. A marca já tinha lançado aplicações semelhantes em Itália e na Irlanda no ano passado.

O interesse renovado no canal online surge num contexto de maior pressão competitiva no retalho de moda de baixo preço. Operadores digitais como Shein, Temu e TikTok Shop têm vindo a alterar as expectativas dos consumidores em torno de preço, rapidez e descoberta de produto, aumentando a pressão sobre modelos mais dependentes da loja física.

A Retail Gazette refere ainda que a perda do armazém da Asos para a M&S poderá representar um revés para Eoin Tonge, recentemente nomeado CEO da Primark, depois de ter sido diretor financeiro da Marks & Spencer. A divisão de vestuário e casa da M&S é liderada por John Lyttle, antigo executivo da Primark.

A possível viragem ocorre também numa fase de reorganização societária. A Associated British Foods, dona da Primark, revelou em abril que pretende separar a retalhista do negócio alimentar até 2027, criando duas empresas cotadas de forma autónoma na Bolsa de Londres. A operação separaria a Primark dos negócios de mercearia e ingredientes da ABF, que incluem marcas como Twinings, Kingsmill e Jordans.

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