A atividade da Shein e da Temu na Alemanha está associada a uma perda anual de 2,4 mil milhões de euros em valor acrescentado para a economia alemã, segundo um estudo da IW Consult encomendado pela German Retail Federation.
O relatório aponta ainda impactos no emprego, na receita fiscal e na concorrência com os retalhistas locais.
De acordo com o estudo, a Shein e a Temu entregam diariamente 460 mil encomendas na Alemanha. A análise, realizada em fevereiro junto de até 4.000 consumidores alemães entre os 16 e os 69 anos, indica que parte das compras feitas nestas plataformas poderia ser canalizada para o retalho alemão caso os produtos não estivessem disponíveis nos marketplaces chineses.
Entre os utilizadores da Shein e da Temu inquiridos, 51% afirmaram que teriam comprado os mesmos produtos ao mesmo preço se estes não estivessem disponíveis nas plataformas chinesas. Outros 19% disseram que estariam dispostos a pagar mais.
O relatório refere que a popularidade destas plataformas está a afetar as receitas dos vendedores online alemães. A Shein e a Temu têm sido criticadas por questões relacionadas com a segurança dos produtos e pelo incumprimento de requisitos legais e regulamentares europeus.
Segundo a análise, os retalhistas locais têm de cumprir essas regras, o que representa um encargo pesado ou muito pesado para 90% dos operadores, criando uma situação de concorrência considerada desleal.
A German Retail Federation afirma ainda que mais de 40 mil postos de trabalho terão sido perdidos na Alemanha devido à atividade da Temu e da Shein. No setor do retalho, o impacto estimado é de 28.300 empregos.
O estudo aponta também para uma perda de cerca de 420 milhões de euros por ano em receita fiscal para os governos federal, estaduais e locais.
Para Alexander von Preen, presidente da German Retail Federation, “os dados atuais ilustram claramente a seriedade da situação: as violações regulamentares massivas da Temu e da Shein estão a causar danos extensos ao setor do retalho e a toda a economia alemã”.
E continua: “se os decisores políticos não tomarem finalmente medidas decisivas e concretas depois de anos de inação, vejo um futuro sombrio para a Alemanha enquanto localização empresarial. Se nada mais resultar, violações tão massivas devem ser travadas. A concorrência é boa, mas tem de ser justa”.
A Federação alemã defende um aumento da pressão fiscalizadora por parte das autoridades aduaneiras, à semelhança de inspeções direcionadas realizadas recentemente em França sobre encomendas importadas. Segundo a análise, até 75% dos produtos importados analisados nesse país não cumpriam as normas da União Europeia (UE).

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