A utilização de ferramentas de inteligência artificial (IA) nas compras está a ganhar expressão entre os consumidores dos EUA. De acordo com dados da NielsenIQ, 42% dos consumidores nos EUA usaram ferramentas de IA para comprar no último mês, num sinal de mudança na forma como são tomadas decisões de consumo.
A empresa sublinha, contudo, que os consumidores continuam a controlar as suas decisões de compra, recorrendo à IA como ferramenta de apoio e orientação.
“Estamos a assistir às fases iniciais de uma mudança fundamental em toda a indústria, da pesquisa para a decisão. A IA não está a substituir o consumidor, mas está a remodelar de forma significativa a forma como as escolhas são feitas”, afirma Liz Buchanan, presidente da NIQ North America.
Os dados resultam da investigação contínua Quick Question da NIQ, com uma amostra mensal de aproximadamente 500 consumidores nos EUA, no início de 2026.
Segundo a NIQ, a compra com recurso a IA está a tornar-se progressivamente mais comum. Entre os consumidores inquiridos, 17% afirmam utilizar IA para recomendações de produtos. A tecnologia é usada como assistente de compras por 10% dos participantes, enquanto outros 10% indicam ter utilizado um assistente de voz para comprar ou voltar a encomendar produtos.
A utilização de funcionalidades de subscrição ou reposição automática suportadas por IA é referida por 19% dos consumidores para compras recorrentes. Já a compra através de agentes de IA totalmente autónomos permanece limitada: apenas 5% dos inquiridos afirmam ter comprado produtos por esta via, o que sugere que os consumidores ainda não estão preparados para delegar integralmente as decisões de compra.
A NIQ identifica oportunidades e desafios para os retalhistas com o crescimento do comércio mediado por agentes de IA. Para reforçar crescimento e envolvimento com o cliente, as empresas terão de considerar a IA como uma ferramenta relevante na formação das decisões de compra e na visibilidade dos produtos.
Ao mesmo tempo, a possibilidade de os consumidores mudarem de marca com base em recomendações de IA coloca pressão adicional sobre os retalhistas em áreas como precisão, transparência e responsabilidade na utilização de dados.
“A prateleira está a evoluir. Já não é apenas física ou digital; é algorítmica. Isso muda a forma como os produtos competem, como o desempenho é medido e como o crescimento é desbloqueado”, acrescenta Liz Buchanan.
A responsável afirma ainda que “as empresas que vencerem nesta próxima era serão aquelas que compreenderem como estar presentes nesses momentos e entregar valor e confiança”.

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