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Sustentabilidade

Primark, H&M e Vinted pedem revisão de impostos para acelerar moda circular

Primark, H&M e Vinted pedem revisão de impostos para acelerar moda circular iStock

Alguns dos maiores retalhistas de moda e plataformas de revenda do mundo, incluindo a Primark, H&M e Vinted, estão a apelar a alterações fiscais e laborais para tornar os modelos de moda circular comercialmente viáveis. O pedido é dirigido a governos da União Europeia (UE), Estados Unidos da América (EUA) e Canadá e surge no âmbito de uma iniciativa da Ellen MacArthur Foundation.

Arc’teryx, Etsy e Zalando estão também entre as 68 organizações que subscrevem o apelo. Em causa está a necessidade de rever regras fiscais e custos laborais que, segundo a Fundação, continuam a dificultar o crescimento de modelos baseados na revenda, reparação, aluguer e transformação de peças já existentes.

 

A Ellen MacArthur Foundation defende que o sistema atual torna mais rentável para as empresas produzir vestuário novo do que reparar ou revender artigos usados, apesar do aumento da procura por opções em segunda mão e alternativas mais sustentáveis.

O grupo pede a redução do IVA na UE e a eliminação do imposto sobre vendas na América do Norte para produtos revendidos e serviços de reparação. Defende ainda a redução dos impostos sobre o trabalho na UE e a criação de créditos fiscais na América do Norte para empresas que criem emprego nas áreas da revenda e reparação.

 

A declaração apela também à utilização de regimes de responsabilidade alargada do produtor para financiar a infraestrutura necessária à recolha e triagem de vestuário em escala.

Leyla Ertur, chief sustainability officer do H&M Group, afirma que a revenda continua a ser “economicamente penalizada”, apesar de contribuir para prolongar a utilização dos produtos. “A revenda mantém os produtos em uso, ao mesmo tempo que responde à procura dos clientes por escolhas mais acessíveis e sustentáveis”, refere.

 

A responsável acrescenta que, “se os governos levam a circularidade a sério, têm de agir removendo a dupla tributação, reduzindo os custos laborais e eliminando outras barreiras que travam a revenda”. Para Leyla Ertur, “corrigir a economia da revenda é uma das formas mais rápidas e concretas de escalar a circularidade na moda”.

O apelo surge através do projeto The Fashion ReModel, da Ellen MacArthur Foundation, criado para apoiar marcas, retalhistas e plataformas no desenvolvimento de modelos de negócio circulares e na geração de receita sem dependerem da produção de novo vestuário.

 

A Fundação alerta que os negócios de revenda e reparação enfrentam custos laborais elevados e podem ser tributados várias vezes à medida que os produtos mudam de proprietário. Esta estrutura, segundo a organização, favorece a produção de novos artigos em vez da manutenção das peças em circulação.

Marianne Gybels, senior director of sustainability da Vinted, afirma que a moda em segunda mão está a tornar-se parte do quotidiano na Europa, mas precisa de apoio político para crescer. “Para tornar negócios circulares como a segunda mão a primeira escolha, estes têm de entregar de forma consistente aquilo que mais importa aos consumidores: serem fiáveis, acessíveis e fáceis de usar”, refere.

A responsável acrescenta que já é visível uma mudança na Europa, onde comprar e vender em segunda mão passou a fazer parte do quotidiano, “com espaço significativo para crescer”. Para Marianne Gybels, a política pública deve apoiar modelos de negócio que tornem as escolhas circulares mais acessíveis.

A Ellen MacArthur Foundation defende ainda que a expansão da revenda e reparação pode criar emprego local em áreas como reparação, triagem, logística e retalho, além de contribuir para reduzir emissões de carbono e aliviar a pressão sobre os sistemas de resíduos.

Mark Buckley, responsável de moda e têxteis da Ellen MacArthur Foundation, afirma que “o potencial da moda para se tornar mais circular é significativo”, mas alerta que “a economia está contra a revenda e a reparação”. Segundo o responsável, as empresas são incentivadas a usar novos recursos em vez de investir na manutenção das roupas em uso durante mais tempo.

“O nosso estudo mostra que ajustes políticos direcionados, usando instrumentos já existentes, poderiam melhorar materialmente a economia e desbloquear uma oportunidade de vários milhares de milhões de dólares”, conclui.

 

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