Retalho

Vendas do grupo DIA decrescem 7% no primeiro semestre

Vendas do grupo DIA decrescem 7% no primeiro semestre

Depois de viver tempo conturbados nestes primeiros seis meses do ano, o grupo DIA – agora detido pela LetterOne – anunciou vendas de 3,444 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2019, correspondendo a uma descida de 7% face a igual período de 2018, semestre em que as receitas ascenderam a 3,7 mil milhões de euros.

O grupo, que em Portugal detém a insígnia Minipreço, indica que as receitas do DIA “foram afetadas por uma série de fatores negativos e extraordinários” nestes primeiros seis meses, resultando, assim, numa perda líquida atribuível de 418 milhões de euros, enquanto no primeiro semestre de 2018 o valor estava perto dos 30 milhões de euros negativos. Entre os fatores para esta perda o grupo indica “o despedimento coletivo em Espanha e outras medidas na estrutura do Brasil para melhorar a produtividade; os níveis muito elevados de falta de stock nas lojas do grupo durante todo este período; o encerramento de 663 lojas deficitárias com uma contribuição negativa permanente; a passagem de 222 lojas franquiadas a próprias com o objetivo de melhorar e reforçar a rede de franquia”.

Além disso, o grupo que, desde maio deste ano, tem como CEO Karl-Heinz Holland e Presidente do Conselho de Administração Stephan DuCharme, refere ainda “um plano de otimização do sortido comercial para a redução significativa do número de referências para eliminar a complexidade e melhorar as operações; a interrupção de atividades não estratégicas para reduzir a complexidade e melhorar a eficiência; bem como o reconhecimento de provisões, perdas ou baixas contabilísticas de contas por cobrar, riscos e passivos que tinhas de ser aprovisionados” para esta performance menos positiva.

Relativamente à evolução do negócio a partir do segundo semestre, com a chegada da nova administração e da injeção de liquidez em junho, a prioridade imediata foi “normalizar a relação com os fornecedores, eliminar as faltas de stock e abastecer completamente as lojas e armazéns, com o objetivo de prestar um serviço completo aos clientes e regressar à normalidade o mais rapidamente possível”, refere o grupo, em comunicado. “O efeito positivo desta normalização já é visível em julho e agosto, já que neste período as vendas comparáveis mostram uma recuperação gradual e significativa face aos mínimos históricos registados em junho (-15,5%)”, salienta o DIA.

Para o futuro, a empresa tem a intenção de continuar a apoiar e promover esta recuperação inicial das vendas através de várias iniciativas em diferentes âmbitos (na área comercial, operações, logística) com o objetivo comum de impulsionar a afluência de clientes às lojas, melhorar as vendas e a produtividade.

“A nova administração do DIA está plenamente consciente da exigente situação”, admite o CEO do grupo. Karl-Heinz Holland salienta, contudo, que “a equipa tem os conhecimentos e a experiência para colocar o negócio de novo em andamento e continuar a tomar as medidas necessárias para colocar o DIA numa posição de força para alcançar o êxito a longo prazo. Todos os dias haverá melhorias e mudanças, o que levará ainda algum tempo”.

O grupo informa, também, que “conta agora com um cash-flow estável e um sólido fundo de manobra que, juntamente com uma clara estrutura de capital, liquidez e uma reputada equipa de gestão, está capacitado para reforçar o seu balanço financeiro”. A este respeito, os maiores impactos no EBITDA ajustado, que somam 88,8 milhões de euros – o valor atribuído a Portugal é de 2,4 milhões de euros), referem-se “aos esforços de liquidação de existências e às amortizações de contas por cobrar”, indicando o comunicado que “o resultado imediato destas ações é um balanço mais forte e saudável”.