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Vendas líquidas do Minipreço (grupo Dia) em Portugal caem 5% em 2018

Vendas líquidas do Minipreço (grupo Dia) em Portugal caem 5% em 2018

A operação em Portugal do grupo Dia, sob a insígnia Minipreço, obteve no ano 2018 vendas de 808 milhões de euros, correspondendo a uma descida de 3,1% face aos 834,4 milhões de euros obtidos no final de 2017, enquanto as vendas líquidas sofreram uma depreciação de 5,2% para atingir 628,6 milhões de euros, ou seja, menos 34,5 milhões de euros que em 2017.

No que toca à operação por terras lusas, o grupo informa que o EBITDA ajustado caiu 28,7% para 30,1 milhões de euros face a 2017, com o EBIT a situar-se em campo negativo (16,5 milhões de euros), ou seja, desceu 22,7% relativamente aos 13,4 milhões de 2017.

Em território nacional, o grupo DIA começou 2018 com 559 lojas (262 próprias e 297 franquiadas), tendo procedido a 23 aberturas (6 próprias e 17 franquiadas), encerrando 10 unidades próprias e 40 franquiadas (um total de 50), fechando, assim, o ano com 532 pontos de venda. Ou seja, menos 27 lojas que no final de 2017.

Dia em queda
Depois de ter sido alvo de uma OPA pelo principal acionista – o empresário russo Mikhail Fridman, dono do fundo de investimento LetterOne – o grupo Dia apresentou hoje os resultados referentes ao exercício de 2018, bem como o Plano Estratégico 2018-2023.

No exercício de 2018, o grupo informa que as vendas brutas se cifraram nos 9,390 mil milhões de euros, correspondendo a uma descida de 14,9% face ao ano 2017. Em termos líquidos, as vendas do grupo espanhol atingiram os 7,288 mil milhões de euros, o que significa uma quebra de 11,3% face aos 8,217 mil milhões de euros obtidos no final do exercício de 2017.

Já o EBITDA ajustado diminuiu 34,8% para os 338 milhões de euros, quando no ano de 2017 o valor totalizou 518,5 milhões de euros.

O resultado líquido do exercício é de menos 352,6 milhões de euros, devido ao impacto de 288 milhões de euros após o teste de valorização dos ativos. Sem estes efeitos, o resultado líquido ajustado é de 49,7 milhões de euros, o que representa uma descida de 74% relativamente ao ano anterior.

Por outro lado, o grupo informa que a dívida líquida chega aos 1.452 milhões de euros, 506 milhões mais do que no final de 2017, apontando o Dia este incremento ao “empobrecimento do capital vinculante derivado da redução do prazo de pagamento a fornecedores”.

No total, o grupo Dia fechou o exercício de 2018 com 6.157 lojas, mais 56 que em 2017, informando que procedeu a 336 aberturas e 280 encerramentos.

Naturalmente, que o país mais representado em termos de lojas é Espanha, com um total de 3.474 unidades, seguida do Brasil com 1.172 lojas, Argentina com 979 pontos de venda e Portugal com as já referidas 532 lojas Minipreço.

Uma OPA e um novo plano estratégico
Quanto ao futuro (incerto) do grupo Dia, o Plano Estratégico 2018-2013 centra-se na “transformação, modernização e futuro da empresa com o objetivo de aumentar a quota de mercado no setor da distribuição”.

Vendas líquidas do Minipreço (grupo Dia) em Portugal caem 5% em 2018

Borja del la Cierva, Presidente Executivo do grupo Dia

De acordo com o comunicado do grupo, a transformação da oferta comercial tem como objetivo colocar “a qualidade, os preços competitivos e a proximidade no coração da oferta do ‘Novo Dia’”. Este processo passa por uma “aposta para reforçar a marca própria, potenciando a oferta de produtos frescos, tornando os preços mais competitivos com promoções personalizadas e uma racionalização do sortido focada nas necessidades dos clientes”.

Além disso, a “atenção e fidelização dos consumidores, para além de atrair novos clientes”, é, segundo o grupo, um dos eixos do “Novo Dia”, referindo que “as lojas serão modernizadas para responder às necessidades dos clientes, onde e quando necessitem, tanto nas lojas físicas como no online”.

O foco na execução efetiva dos projetos de loja tem por base uma “simplificação d processos”. Ou seja, “lançamento de um novo formato de loja, moderna e cómoda; maior eficiência de stocks; inclusão do conceito ‘milha sentimental’ para realizar as entregas online no menor tempo possível”.

Os franqueados também não foram esquecidos deste processo e o grupo salienta que o “Novo Dia” reforçará a relação com os franqueados para “melhorar o modelo de negócios”, apontando, igualmente, para uma revisão do sistema de incentivos, com o grupo a comprometer-se no investimento em formação e planos de carreira.

O Plano Estratégico do grupo Dia tem, assim, o objetivo de crescer a um dígito médio a partir de 2020, ao mesmo tempo que melhora o EBITDA a partir da mesma data. Para tal, os responsáveis referem que o investimento será “contido” em 2019, para recuperar os níveis da empresa em 2020.

As dúvidas sobre a OPA
À imprensa espanhola, Borja del la Cierva, presidente executivo do grupo Dia, considera os planos do fundo para a empresa, especialmente o aumento de capital de 500 milhões, “muito incertos porque os prazos não são claros e porque não têm, por enquanto, o apoio do banco credor, contrariando o plano que projetou a atual liderança da empresa e que ajudou a chegar a um acordo de refinanciamento com os bancos em 31 de dezembro de 2018”, escreve o El País.

Ao diário espanhol, o responsável máximo pela operação do grupo Dia considera ainda que o plano estratégico delineado por Letterone está “alinhado” com os do grupo, oferecendo-se para colaborar com o fundo para “explorar a possibilidade de adaptar os termos da oferta para resolver esses aspetos”, revela o El País.

S&P baixa nota do Dia para CCC
Como resultado desta indefinição, a Standard & Poor’s emitiu uma nota, dando conta das suas dúvidas sobre os dois planos e sobre o futuro imediato do grupo, baixando, novamente, a cotação atribuída ao grupo Dia para CCC. A agência assume, desta forma, que a empresa está “vulnerável ao não pagamento e depende de condições favoráveis de negócios, financeiras ou económicas para honrar os seus compromissos financeiros”.

Já a CNVM (Comisión Nacional del Mercado de Valores, o equivalente à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários portuguesa) admitiu que a OPA ou Dia é uma questão “prioritária”, citando o jornal Expansión o presidente da instituição, Sebastián Albella: “A CNMV está exercendo a sua função com toda a atenção e com todo rigor”.