Os consumidores norte-americanos sob maior pressão financeira estão a alterar a forma como compram, com maior recurso ao comércio online, às carteiras digitais e a operadores associados a propostas de valor.
A conclusão resulta do relatório “The New Checkout: Crimped Consumers Lean Into Online Retail and Digital Wallets”, da PYMNTS Intelligence, baseado num inquérito a 2.108 consumidores nos Estados Unidos da América (EUA).
O estudo indica que o stress financeiro está a influenciar os locais onde os consumidores compram, o valor gasto por compra e os meios de pagamento utilizados. De acordo com o relatório, as carteiras digitais, os carrinhos online e os retalhistas focados em preço estão a tornar-se parte das ferramentas de gestão do orçamento familiar, sobretudo entre consumidores mais jovens e famílias.
Apesar da pressão financeira, muitos consumidores continuam a comprar, mas com maior intenção. Os consumidores classificados como estando sob elevado stress financeiro gastaram, em média, 109 dólares na última compra de supermercado e 111 dólares na última compra de retalho.
Entre consumidores com baixo stress financeiro, os valores foram de 95 dólares e 88 dólares, respetivamente. No retalho online, a diferença foi mais acentuada: 169 dólares em média entre consumidores sob maior pressão, face a 96 dólares entre consumidores com menor pressão financeira.
O relatório identifica 17% dos consumidores como estando sob elevado stress financeiro, por terem reportado falta de liquidez recentemente. Esta pressão é mais concentrada entre consumidores mais jovens e pais. Um em cada quatro millennials, consumidores da Geração Z e pais com filhos menores de 18 anos afirmou ter registado falta de dinheiro para despesas correntes ou emergências nos 90 dias anteriores ao inquérito.
A utilização de carteiras digitais surge também associada a maior pressão financeira. Entre os consumidores sob elevado stress, 28% usaram carteiras digitais na última compra de retalho, comparando com 11% entre consumidores com baixo stress. No segmento de supermercado, 21% dos consumidores sob maior pressão recorreram a carteiras digitais, face a 8% entre os consumidores com menor pressão financeira.
Segundo o relatório, esta utilização poderá estar relacionada com o acesso a opções de buy now, pay later, maior visibilidade sobre os gastos e funcionalidades próximas das oferecidas por serviços bancários. Para bancos, retalhistas e prestadores de pagamentos, os dados apontam para uma evolução das carteiras digitais para ferramentas de gestão financeira, além da função de armazenamento de cartões.
 Para o retalho, os dados sugerem que o checkout deve ser analisado como parte da experiência de compra e não apenas como a etapa final da transação. O relatório indica que os consumidores procuram não apenas preços mais baixos, mas também maior controlo sobre pagamentos, financiamento de curto prazo, histórico de transações e ferramentas de orçamento.
O comércio online surge, neste contexto, como um canal que facilita a comparação de preços e a identificação de promoções, enquanto os retalhistas com posicionamento de valor podem responder à pressão sobre os orçamentos sem retirar conveniência ao processo de compra.

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