Quantcast
Retalho

Retalho europeu avança com IA, mas enfrenta obstáculos na implementação

iStock

A inteligência artificial (IA) está a consolidar-se como uma tecnologia estratégica no retalho europeu, mas a sua adoção ainda enfrenta desafios estruturais que limitam a implementação em larga escala, segundo um estudo da Retail Economics.

O relatório “The State of AI in European Retail Marketing & E-Commerce” indica que o setor se encontra numa fase de transição, com progressos iniciais já visíveis, mas ainda distante de uma adoção generalizada e consistente em termos de retorno comercial.

 

“Os próximos dois anos representam um ponto de viragem à medida que a IA passa de teste para uma necessidade competitiva. Os retalhistas estão numa jornada: a maioria já começou a testar e implementar IA, mas apenas alguns atingiram uma fase em que conseguem retornos comerciais consistentes”, afirma Richard Lim, CEO da Retail Economics.

O estudo revela que, embora exista consenso sobre a importância da IA para a competitividade, eficiência e satisfação do cliente, o nível de maturidade varia significativamente entre empresas. Enquanto algumas já integram a tecnologia de forma aprofundada nos seus processos, muitas continuam numa fase experimental, testando casos de uso isolados.

 

A aplicação da IA é mais expressiva nas áreas de marketing e comércio eletrónico, onde os impactos são mais diretos na receita e fidelização. Entre os principais usos destacam-se a recomendação personalizada de produtos, a automatização de campanhas e a análise de comportamento do consumidor. A tecnologia está também a ser utilizada na definição de preços e na previsão da procura, com melhorias reportadas ao nível das taxas de conversão e da eficiência dos investimentos em marketing.

Apesar destes avanços, a escalabilidade da IA continua condicionada por vários fatores. A qualidade e organização dos dados surge como uma das principais limitações, com muitas empresas a lidar com informação incompleta, pouco estruturada ou fragmentada. A resistência interna à adoção de novas tecnologias e a escassez de profissionais qualificados são outros entraves identificados, a par da complexidade de integração com sistemas tecnológicos existentes.

 

No contexto europeu, as exigências regulatórias e de proteção de dados acrescentam complexidade adicional, obrigando as empresas a ajustamentos específicos.

Para além dos desafios tecnológicos, o estudo sublinha a importância da organização interna. As empresas mais avançadas na adoção de IA destacam-se por integrar esta tecnologia ao nível da liderança, promover a colaboração entre equipas e investir na formação de competências. Estes fatores são considerados determinantes para evoluir de projetos-piloto para soluções escaláveis.

 

O relatório conclui que a relevância da IA no retalho europeu continuará a crescer, com destaque para o potencial da IA generativa em áreas como a criação automatizada de conteúdos, o apoio ao cliente e a personalização de ofertas. Neste contexto, a capacidade das empresas para ultrapassar os atuais obstáculos e escalar soluções será decisiva num cenário de crescente concorrência baseada em dados.

Não perca informação: Subscreva as nossas Newsletters

Subscrever