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Inteligência artificial torna-se o ponto de partida da vida digital dos consumidores

Inteligência artificial torna-se o ponto de partida da vida digital dos consumidores iStock

A inteligência artificial (IA) ultrapassou um novo patamar de adoção e está a tornar-se o ponto de partida para um número crescente de atividades do dia a dia, desde planear, aprender e pesquisar até decidir e comprar, segundo dados da PYMNTS Intelligence.

Os consumidores deixaram de “experimentar” a tecnologia e passaram a utilizá-la de forma regular, alterando profundamente o percurso tradicional de consumo baseado na pesquisa, comparação e compra.

 

Segundo os dados, esta mudança já se reflete numa menor dependência dos motores de busca tradicionais e numa maior tendência para iniciar tarefas em plataformas de IA dedicadas, como o ChatGPT ou Gemini. Em vez de múltiplas pesquisas, os utilizadores expressam a sua intenção uma única vez e refinam decisões através de diálogo com a IA.

Mais de seis em cada dez consumidores utilizaram plataformas de IA dedicadas no último ano, mas a adoção varia significativamente consoante a geração e a intensidade de uso. A Geração Z e os chamados Power Users destacam-se como os principais impulsionadores deste comportamento, sendo muito mais propensos a substituir métodos tradicionais de pesquisa por interfaces conversacionais. Estes grupos estão também a assumir a liderança na integração da IA em tarefas de maior complexidade.

 

O relatório “How AI Becomes the Place Consumers Start Everything”, da PYMNTS Intelligence, analisou a utilização de IA em 54 casos de uso pessoal, distribuídos por nove áreas da vida quotidiana, com base num inquérito a mais de dois mil consumidores adultos nos Estados Unidos.

O estudo identificou quatro perfis de utilizadores: os Holdouts, que evitam a tecnologia sobretudo por preocupações com privacidade; os Light Users, com uso limitado e cauteloso; os Mainstream Users, com utilização moderada; e os Power Users, que recorrem à IA de forma intensiva e transversal.

 

As tarefas pessoais são o principal motor da adoção. Enquanto os Power Users utilizam a IA em quase todas as áreas, incluindo compras, planeamento, aprendizagem e bem-estar, os Light Users concentram-se em tarefas de menor risco. Apenas 14% destes últimos se sentem confortáveis em usar IA para atividades financeiras, o que indica que a confiança continua a ser um fator decisivo para a expansão do uso em domínios mais sensíveis.

Um dos sinais mais relevantes identificados no relatório é a mudança na sequência de comportamento. Mais de um terço dos consumidores da Geração Z e dos Power Users recorrem primeiro a plataformas de IA quando enfrentam uma tarefa pessoal, um comportamento descrito como “AI-first”.

 

Em apenas um mês, esta tendência cresceu 36% entre a Geração Z e 28% entre os utilizadores intensivos, indicando uma alteração estrutural na forma como a informação é acedida e utilizada.

De acordo com o relatório, esta evolução tem implicações diretas para empresas, marcas e instituições financeiras. À medida que a descoberta de produtos, a tomada de decisão e o pagamento começam a convergir em ambientes de IA, os canais tradicionais enfrentam novos desafios. A visibilidade das marcas dependerá cada vez mais da sua capacidade de serem corretamente interpretadas e recomendadas por sistemas de IA.

No que respeita aos pagamentos, os consumidores indicam que as carteiras digitais são atualmente o meio mais confiável para ligar a interação com a IA à concretização de transações.

Cerca de um terço prefere utilizar uma carteira digital associada à plataforma de IA, em vez de introduzir diretamente dados de pagamento. Esta preferência sugere que as carteiras funcionam como uma camada de confiança essencial entre a intenção expressa à IA e a execução segura do pagamento.

O relatório concluiu que a próxima fase da adoção da IA não será determinada apenas pela tecnologia, mas pela confiança, pela transparência no uso de dados e pela capacidade de integrar pagamentos seguros.

Para as empresas e para o setor financeiro, o desafio já não é saber se os consumidores vão usar IA, mas perceber onde a tecnologia se posiciona no percurso do utilizador e como transformar intenção em transação de forma segura e fiável.

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