A utilização de inteligência artificial (IA) como ponto de contacto entre consumidores e marcas está a acelerar no comércio online, mas grande parte dos sites de retalho nos Estados Unidos da América (EUA) continua pouco preparada para esta mudança.
Novos dados, provenientes de uma análise da Adobe, mostram que muitas páginas não são totalmente legíveis por modelos de linguagem, o que limita a sua presença em resultados de pesquisa gerados por IA.
Entre janeiro e março de 2026, o tráfego proveniente de fontes de IA para sites de retalho norte‑americanos aumentou 393% face ao período homólogo. Em março, o crescimento foi de 269%, prolongando a tendência observada na época festiva de 2025, quando este tipo de tráfego subiu 693% em termos anuais.
A análise da Adobe, baseada em mais de 1 bilião de visitas a sites de retalho nos EUA, indica que 39% dos consumidores já utilizaram IA para compras online, com 85% a referirem melhoria na experiência. A confiança também está a aumentar: 66% dos inquiridos acreditam que as ferramentas de IA fornecem resultados significativos.
Este comportamento reflete‑se nas métricas de desempenho. Em março de 2026, o tráfego de IA converteu 42% melhor do que o restante tráfego — um máximo histórico — invertendo a tendência de março de 2025, quando convertia 38% pior.
Segundo a Adobe, “o tráfego proveniente de IA continua a converter melhor (visitas que resultam em compras) do que o tráfego não proveniente de IA, que abrange canais como pesquisa paga e marketing através de e-mail”.
Os dados mostram ainda que os utilizadores que chegam através de IA apresentam maior envolvimento: mais 12% de engagement, mais 48% de tempo no site e mais 13% de páginas visitadas.
Apesar deste crescimento, a maioria dos sites de retalho não está otimizada para garantir visibilidade em ferramentas de IA. A Adobe analisou páginas de diferentes categorias e concluiu que, em média, as homepages obtêm uma pontuação de 75% em legibilidade para modelos de linguagem, o que significa que cerca de um quarto do conteúdo não é interpretável por máquinas.
Outras áreas analisadas incluem páginas de localizador de lojas (73%), apoio ao cliente (79%), contactos (81%), devoluções e trocas (82%), programas de fidelização (78%) e FAQ (80%). A diferença entre os retalhistas mais avançados e os menos preparados é significativa: as melhores homepages atingem 82,5%, enquanto as de pior desempenho ficam nos 54,2%.
A Adobe conclui que, embora exista uma base razoável, persistem lacunas importantes que podem comprometer a visibilidade dos produtos num contexto em que a IA está a reconfigurar a forma como os consumidores descobrem e comparam ofertas online.

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