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Bizum chega ao comércio físico e entra na disputa dos pagamentos em loja

Bizum chega ao comércio físico e entra na disputa dos pagamentos em loja iStock

O Bizum, plataforma de pagamentos criada pela banca espanhola, começou a funcionar como meio de pagamento em lojas físicas, permitindo compras em espaços como lojas de roupa, supermercados, farmácias e cafetarias.

O arranque será, no entanto, limitado e progressivo, estando inicialmente disponível apenas para uma parte dos clientes, retalhistas e entidades financeiras. O lançamento comercial em larga escala está previsto para depois do verão.

 

A entrada no comércio físico representa uma nova fase para a plataforma, que passa a competir no pagamento presencial com operadores globais como Visa e Mastercard. Apesar de o sistema já estar operacional, a disponibilização aos utilizadores dependerá do calendário definido por cada banco.

Entidades como a CaixaBank e o BBVA começaram a ativar a funcionalidade através das respetivas aplicações móveis, sendo da responsabilidade dos bancos informar os clientes quando o pagamento presencial com Bizum estiver disponível.

 

Segundo a informação disponibilizada, o sistema está preparado para abranger os 31 milhões de utilizadores do Bizum, mas a prioridade será dada aos clientes mais ativos, com integração progressiva dos restantes. Do lado dos comerciantes, o processo começará pelas grandes superfícies, antes de se estender a outros formatos de loja.

A implementação registou ritmos diferentes entre entidades financeiras, uma vez que algumas chegaram à data de lançamento com menor margem para ligar os seus sistemas à infraestrutura do Bizum e ativar o pagamento presencial.

 

Também o calendário da carteira digital Bizum Pay sofreu alterações. A solução, que funcionará de forma semelhante a Apple Pay ou Google Pay, estava inicialmente prevista para estar disponível para utilizadores Android e iOS a 18 de maio, mas o seu lançamento foi adiado para 1 de junho. Até lá, o acesso ao pagamento com Bizum em loja dependerá da integração feita por cada banco nas suas próprias aplicações.

Quando a funcionalidade estiver disponível, os clientes poderão pagar através da aplicação do banco ou da Bizum Pay, aproximando o telemóvel do terminal de pagamento. A operação distingue-se dos pagamentos com cartão ou outros sistemas móveis por ser executada como uma transferência imediata entre contas.

 

A Bizum Pay permitirá ainda associar um segundo meio de pagamento, que funcionará como alternativa. Caso não seja possível concluir a operação através do Bizum, o sistema recorrerá automaticamente a esse segundo método, como um cartão, sem necessidade de reiniciar o processo.

Para os comerciantes, não será necessária a substituição dos terminais de pagamento atuais. A ativação será feita através dos terminais de ponto de venda já instalados, mediante atualização da funcionalidade pelas entidades financeiras.

Nas primeiras semanas e meses, a previsão é que os bancos continuem a aderir e a incorporar progressivamente clientes particulares e comerciantes. Esta fase é apresentada como um período de preparação antes de um lançamento mais amplo, com o objetivo de evitar falhas num serviço considerado sensível e de habituar os consumidores a utilizar o Bizum também em pagamentos do dia a dia em loja.

O lançamento comercial mais abrangente deverá ocorrer em setembro, altura em que as entidades financeiras preveem avançar com campanhas de comunicação e promoção, depois de o sistema estar estabilizado.

A entrada no comércio físico altera também o modelo económico associado ao Bizum. Até agora, a plataforma era usada sobretudo para transferências entre particulares, uma operação gratuita e sem receita direta para os bancos. Nos pagamentos em loja, cada compra permitirá às entidades financeiras aplicar uma pequena comissão aos estabelecimentos.

O movimento abre, assim, uma nova frente no negócio dos pagamentos, num mercado historicamente dominado por Visa e Mastercard. Como cada cliente só pode ter o Bizum ativado num banco, a expansão para o comércio físico deverá intensificar a disputa entre entidades financeiras pela relação com o utilizador.

 

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