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Comércio global vai continuar a crescer, apesar das tarifas dos EUA, concluiu estudo

Comércio global vai continuar a crescer, apesar das tarifas dos EUA, concluiu estudo iStock

As previsões do DHL Global Connectedness Tracker apontam para que o comércio global mantenha uma trajetória de crescimento estável, com uma taxa média anual de 2,5% entre 2025 e 2029, ritmo que se aproxima dos níveis registados na década anterior e reflete uma recuperação sustentada nas trocas internacionais.

De acordo com a análise, uma das razões que explica o crescimento contínuo do comércio global, mesmo com o aumento das tarifas impostas pelos EUA, é o facto de, em 2024, apenas 13% das importações mundiais de bens se destinarem aos Estados Unidos e 9% das exportações globais terem origem no país.

 

Outra razão é que a maioria dos países não acompanhou os EUA na adoção de aumentos tarifários generalizados. “Apesar de todos os ventos contrários, o DHL Global Connectedness Tracker destaca a força duradoura do comércio global”, afirmou John Pearson, CEO da DHL Express.

E continua: “as barreiras comerciais não servem os melhores interesses do mundo. Mas nunca devemos subestimar a criatividade de compradores e vendedores em todo o mundo que querem fazer negócios uns com os outros. Na DHL, estamos prontos para ajudar os nossos clientes a aproveitar as inúmeras oportunidades comerciais que continuam a surgir nos mercados internacionais”.

 

Tarifas não estão a travar o crescimento do comércio global
Prevê-se que as tarifas dos EUA abrandem o crescimento do comércio global, mas sem o interromperem. Antes da atual vaga de aumentos tarifários, iniciada em janeiro de 2025, o volume do comércio mundial de bens estava projetado para crescer a uma taxa anual de 3,1% entre 2025 e 2029; essa estimativa foi, entretanto, revista em baixa para 2,5%.

A América do Norte foi a região com a maior revisão em baixa, com as projeções de crescimento a descerem de 2,7% em janeiro de 2025 para apenas 1,5% em setembro. A maioria das outras regiões registou ajustamentos negativos mais modestos, enquanto as previsões melhoraram para a América do Sul, América Central e Caraíbas, assim como para o Médio Oriente e Norte de África.

 

De acordo com o relatório, a maioria dos países destas regiões enfrenta apenas aumentos tarifários modestos por parte dos EUA, e prevê-se que o comércio no Médio Oriente seja impulsionado pelo aumento da produção e das exportações de petróleo.

Atividade comercial mundial cresceu ao nível mais alto desde 2010
O DHL Global Connectedness Tracker indicou também que, no primeiro semestre de 2025, o comércio internacional registou o crescimento mais rápido desde 2010, excluindo o período de recuperação pós-pandemia. As importações dos Estados Unidos aumentaram acentuadamente no início do ano, à medida que os compradores procuraram antecipar aquisições antes da entrada em vigor dos novos aumentos tarifários.

 

Entretanto, a China compensou integralmente a queda das exportações para os EUA, graças ao aumento das vendas para outros mercados, nomeadamente a região da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático).

Mesmo após o abrandamento da vaga de antecipação de compras nos EUA, os volumes do comércio global mantiveram-se acima dos registados no ano anterior.

Líderes empresariais mantêm a aposta nos mercados internacionais
Os dados sobre o investimento empresarial internacional no primeiro semestre de 2025 apresentaram um desempenho misto, mas evidenciaram a resiliência global das empresas. Não se verificou qualquer tendência significativa de desvio de investimentos dos mercados externos para os domésticos.

De acordo com o relatório, a quota de operações transfronteiriças de fusões e aquisições (M&A) manteve-se praticamente estável. Ainda assim, a incerteza económica parece ter travado parte do investimento internacional, sobretudo em transações de menor dimensão e novos investimentos ao longo do segundo trimestre de 2025.

“As tendências do comércio e do investimento empresarial internacional até agora em 2025 não apoiam a visão de que a globalização inverteu o seu curso”, referiu Steven A. Altman, diretor da Iniciativa DHL sobre Globalização no Centro para o Futuro da Gestão da NYU Stern.

E continua: “embora fosse um erro desconsiderar as atuais ameaças políticas à globalização, as empresas não estão, de forma geral, a recuar nos mercados internacionais, o comércio está a percorrer a maior distância média registada, e os conflitos geopolíticos mudaram apenas uma pequena fração da atividade internacional mundial. Os dados mais recentes mostram que as empresas estão a gerir os riscos e oportunidades de um mundo conectado, em vez de se retirarem para dentro dos países ou regiões”.

Sem rutura significativa entre blocos geopolíticos
Apesar de 2024 ter registado o maior número de conflitos ativos desde a Segunda Guerra Mundial, o DHL Global Connectedness Tracker não identificou uma divisão significativa da economia mundial entre blocos geopolíticos rivais.

Embora os laços diretos entre os EUA e a China continuem a enfraquecer e a Rússia permaneça amplamente desligada das economias ocidentais, o comércio global não se reorganizou de forma substancial segundo alinhamentos geopolíticos, pelo menos até à data desta publicação.

Além disso, contrariando a percepção generalizada, as previsões revelam que o comércio global não está a tornar-se mais regional. Pelo contrário, a distância média percorrida pelos bens transacionados atingiu um novo recorde, ultrapassando os 5.000 quilómetros no primeiro semestre de 2025.

A quota do comércio intra-regional nas principais regiões do mundo desceu para um mínimo histórico de 51%. O investimento direto estrangeiro (IDE) greenfield tornou-se menos concentrado regionalmente, enquanto a atividade internacional de fusões e aquisições (M&A) se manteve num nível estável de regionalização.

Globalização mantém-se estável apesar das tensões geopolíticas
O relatório avalia o nível global de integração económica com base nos fluxos de comércio, capital, informação e pessoas. A análise utiliza uma escala de 0% a 100%, em que 0% representa ausência total de trocas transfronteiriças e 100% indica livre circulação sem barreiras nem impacto da distância. Atualmente, o índice global de globalização mantém-se nos 25%, praticamente inalterado desde o recorde máximo alcançado em 2022.

 

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