O desenvolvimento de motores de pesquisa conversacionais baseados em inteligência artificial (IA) generativa está a transformar significativamente a forma como as marcas competem por visibilidade digital. Ferramentas como o ChatGPT, Gemini, Copilot e Perplexity deixaram de apresentar listas de links, oferecendo agora respostas diretas e sintetizadas, muitas vezes acompanhadas de recomendações específicas de marcas e soluções.
De acordo com análises da Stratesys, “esta mudança representa um ponto de viragem nas estratégias de posicionamento”, concluindo ainda que a visibilidade atualmente não depende apenas do tráfego ou do ranking nos motores de busca tradicionais, mas sim da capacidade de uma marca ser reconhecida e mencionada pelos modelos de IA como uma “fonte relevante e fiável”.
Simultaneamente, o conceito de “visibilidade” está a ser reconfigurado, apontam as análises, que avançam que, na União Europeia (eu), 59,7% das pesquisas no Google não resultam em cliques, e, para cada 1.000 pesquisas, apenas 374 geram cliques para a web aberta.
“Estamos a passar de um modelo baseado em aparecer nos resultados para outro em que a IA atua como conselheiro. Quando um motor de busca conversacional responde, decide que marcas é que entram na conversa e quais ficam de fora”, referiu Tiago Lopes Duarte, Managing Partner da Stratesys Portugal.
Da pesquisa ao aconselhamento algorítmico
Diferente dos motores de busca tradicionais, os sistemas conversacionais reduzem significativamente o número de opções avaliadas pelo utilizador. Quando confrontada com uma consulta, a IA seleciona, resume e prioriza a informação, apresentando apenas as marcas que considera mais relevantes, com base no seu conhecimento prévio, na coerência das informações disponíveis e na autoridade percebida em determinado domínio.
De acordo com a Stratesys, “isto tem um impacto direto nos processos de decisão, tanto em contextos B2C como B2B”.
“A IA não inventa marcas, mas filtra. E esse filtro condiciona que empresas são consideradas, comparadas ou, em última instância, escolhidas pelos consumidores”, explicou Tiago Lopes Duarte.
Neste contexto, a mudança de comportamento já é mensurável: análises recentes revelam que, quando um resumo gerado por IA aparece na página de resultados, os utilizadores tendem a clicar menos em links para outros websites.
O que faz com que uma marca seja citada pela IA?
A Stratesys destacou que os modelos conversacionais utilizam diversos sinais para construir as suas respostas. Entre esses fatores, estão a clareza e a estruturação dos conteúdos, a consistência semântica da marca nas suas áreas de especialização, a sua presença em contextos especializados e o alinhamento do discurso corporativo.
Além disso, a autoridade do domínio é essencial, sendo construída não só através dos canais próprios da marca, mas também com base no que terceiros publicam e validam sobre ela, explicou a multinacional tecnológica.
De acordo com a Stratesys, muitas marcas que estão bem posicionadas em SEO tradicional não aparecem nas respostas da IA, enquanto outras, com menos tráfego, conseguem ser citadas. A lógica agora vai além da simples otimização de palavras-chave, focando-se na construção de credibilidade algorítmica.
Do SEO ao AEO: Otimizar para respostas
Este novo cenário está a impulsionar a evolução das estratégias de posicionamento, direcionando-se para o que se chama AEO (Answer Engine Optimization), referiu a multinacional tecnológica.
Esta abordagem vai além do ranking tradicional e foca-se no desenvolvimento de conteúdos preparados para serem interpretados, citados e utilizados por sistemas de IA generativa.
Segundo a empresa, o desafio para as marcas deixou de ser apenas atrair cliques, passando a ser estar presente nas respostas que influenciam diretamente a decisão do consumidor.
A Stratesys avançou que a pergunta crucial atualmente é: quando alguém consulta a IA sobre o meu setor, a minha marca aparece na resposta? A pressão gerada por essa mudança reflete-se nas métricas: desde a implementação dos AI Overviews, tem-se observado um aumento nas impressões (+49%), enquanto o CTR caiu cerca de 30%, de acordo com análises setoriais.
Uma nova camada de decisão para marcas e consumidores
Setores como banca, seguros, energia, retalho e saúde já estão a perceber como os motores de pesquisa conversacionais estão a influenciar diretamente a seleção de produtos, serviços e fornecedores, enfatiza a empresa. Em muitos casos, o primeiro contacto do utilizador já não envolve a comparação de várias opções, mas sim a aceitação quase imediata das recomendações feitas pela IA.
Para a Stratesys, esta mudança cria uma camada de decisão que se sobrepõe aos canais tradicionais de pesquisa, marketing e comunicação. Embora menos visível, essa camada tem um impacto crescente na consideração da marca, na percepção de autoridade e na aceleração dos processos de compra.
À medida que esses ambientes ganham relevância, a origem da procura também se transforma: por exemplo, o tráfego para sites bancários proveniente de fontes de IA generativa cresceu 1.200% entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, explicou a multinacional tecnológica.
“A visibilidade conversacional não é uma moda nem uma tendência futura: é uma realidade que já opera no dia-a-dia de consumidores e empresas. As marcas que não trabalharem ativamente a sua presença neste ambiente correm um sério risco de ficar fora do radar no momento-chave das decisões. Nesta nova lógica, existem apenas as marcas que a IA reconhece, compreende e recomenda como referências no seu setor”, concluiu Tiago Lopes Duarte.

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