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Experiências e atividade offline ganham peso no consumo dos portugueses em 2026

Experiências e atividade offline ganham peso no consumo dos portugueses em 2026 iStock

Quatro em cada dez portugueses planeiam gastar mais em experiências em 2026 do que no ano anterior, num contexto em que os consumidores procuram atividades mais humanas, presenciais e ligadas à comunidade.

A conclusão consta do estudo pan-europeu “Experience Economy 2026”, do Mastercard Economics Institute, realizado junto de mais de 27 mil pessoas. Em Portugal, 41% dos inquiridos dizem prever aumentar a despesa em experiências, enquanto 64% planeiam reequilibrar a vida online, privilegiando atividades offline.

 

O relatório enquadra esta evolução no chamado “Ano da Humanização”, marcado pela procura de experiências que permitam reduzir a dependência dos algoritmos e da influência da inteligência artificial. Entre os consumidores portugueses, 52% planeiam participar em mais atividades offline e 61% preferem recomendações humanas em vez de algoritmos.

Mais de três em cada cinco consumidores nacionais procuram experiências com uma forte ligação à comunidade. Em Portugal, 62% dizem atribuir hoje mais valor às experiências do que nunca, acima da média europeia de 59%, e 74% preferem vivê-las em companhia.

 

“Estamos a assistir a uma mudança significativa na Europa, com os consumidores a redefinirem prioridades de despesa e a forma como ocupam o seu tempo livre. Mais do que um aumento de consumo, vemos uma procura por ligação humana e experiências com impacto emocional duradouro”, afirma Natalia Lechmanova, economista-chefe para a Europa do Mastercard Economics Institute.

Oportunidade para PME e negócios locais
A maior procura por experiências autênticas pode representar uma oportunidade para as pequenas e médias empresas portuguesas. Segundo o estudo, 69% dos consumidores admitem gastar mais quando vivem uma experiência e 61% estão dispostos a pagar mais por atividades que beneficiem a economia local.

 

Além disso, 56% dos inquiridos procuram ativamente experiências disponibilizadas por PME e 69% afirmam que recorreriam mais a negócios locais se estes oferecessem este tipo de experiências.

Os dados apontam para uma evolução relevante para operadores de retalho, restauração, turismo, lazer e serviços, num contexto em que a experiência passa a ter maior peso na decisão de consumo e na relação com marcas e negócios locais.

 

Viagens, gastronomia e atividades ao ar livre lideram
As experiências presenciais são as mais valorizadas pelos consumidores portugueses. Viagens e turismo surgem no topo das preferências, indicados por 86% dos inquiridos, seguidos pelas experiências gastronómicas e pelas atividades ao ar livre, ambas com 77%.

Os eventos ao vivo são valorizados por 76% dos consumidores nacionais, enquanto as experiências de bem-estar e saúde recolhem 75%. Com a mesma percentagem surgem as atividades recreativas ao ar livre, como parques de diversões.

A lista das dez experiências mais valorizadas em Portugal inclui ainda experiências relacionadas com história e património, cinema, arte e museus, e teatro.

A nível europeu, os dados mostram diferenças entre gerações. A Geração Z destaca-se pelo interesse em viagens, cinema e eventos ao vivo. Já os consumidores entre os 25 e os 34 anos privilegiam atividades ao ar livre e experiências históricas ou patrimoniais. Entre os maiores de 45 anos, as experiências gastronómicas mantêm maior relevância.

Nostalgia e aprendizagem ganham peso
O relatório identifica seis tendências que deverão moldar a economia das experiências em 2026: escapismo analógico, comunidades assentes em interesses comuns, experiências de grupo ligadas ao bem-estar, ligações conscientes, nostalgia e valorização de experiências independentes e autênticas.

A nostalgia assume um peso crescente. Segundo o estudo, 38% dos portugueses planeiam participar em mais experiências nostálgicas ao longo do ano, valor ligeiramente acima da média europeia de 37%. O relatório indica ainda que 72% dos inquiridos procuram reviver momentos culturais do passado.

A procura por experiências mais enriquecedoras está também a influenciar as viagens. Em Portugal, 74% dos consumidores demonstram interesse em experiências de aprendizagem partilhadas com amigos ou familiares, uma tendência identificada como “Skillidays”, ou férias centradas na aquisição de novas competências.

Mais de metade dos portugueses, 52%, gosta de aprender uma nova competência durante as viagens, e 55% considera que fazê-lo com especialistas locais torna a experiência mais significativa. A mesma percentagem procura experiências práticas e imersivas nas férias.

Metade dos consumidores nacionais valoriza mais regressar a casa com uma nova competência do que com uma lembrança tradicional, enquanto 47% estão dispostos a pagar mais por viagens com componentes de aprendizagem.

Entre as competências mais procuradas estão a aprendizagem de uma nova língua, indicada por 36%, experiências de bem-estar e movimento, como yoga, meditação ou dança, com 29%, workshops de culinária com chefs locais, com 28%, artes e ofícios tradicionais, com 25%, e produção alimentar e de bebidas, como enologia ou fabrico de queijo, com 24%.

Os resultados indicam que a economia das experiências está a ganhar relevância no consumo, com impacto potencial para empresas que consigam articular oferta presencial, ligação à comunidade, autenticidade e valor local.

 

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