Consumidores mais informados e exigentes esperam marcas consistentes, claras e com propósito, defendeu Débora Santos Silva, cofundadora do Prémio Cinco Estrelas, numa análise sustentada por estudos recentes do setor do consumo e da distribuição.
De acordo com a análise, nos últimos anos, a comunicação comercial e a influência social transformaram-se de forma profunda. O marketing de influência, antes dominante no ambiente digital, enfrenta hoje uma quebra de credibilidade num contexto em que visibilidade deixou de significar confiança.
A responsável avançou ainda que os consumidores começam a dar prioridade à autenticidade e à consistência em detrimento do número de seguidores ou do impacto nas redes sociais, uma mudança que poderá redefinir a forma como as empresas interagem com o seu público nos próximos anos.
“Em apenas uma década, passámos do marketing de guerrilha para o marketing de influência, mas hoje assistimos de que forma a influência se começa a transformar numa espécie de “guerrilha digital”, onde a quantidade parece superar a qualidade. Este cenário obriga-nos a refletir sobre que tipo de impacto os consumidores realmente valorizam”, revelou Débora Santos Silva.
Segundo a análise, a sustentabilidade avança igualmente para uma abordagem mais exigente. A responsável salienta que estudos apontam que os consumidores passarão a exigir provas concretas e mensuráveis das políticas ambientais e sociais das marcas, rejeitando mensagens sem práticas verificáveis. Esta tendência fará da sustentabilidade um critério efetivo de decisão de compra, e não apenas um recurso comunicacional.
Além disso, é ainda sublinhado que o valor da experiência ganha peso como fator determinante nos padrões de consumo. Isto porque os consumidores mostram preferência crescente por experiências integradas entre o online e o offline, serviços mais personalizados e relações mais próximas com as marcas.
Já entre as gerações mais jovens, transparência, integridade e foco em estilos de vida saudáveis tornam-se critérios cada vez mais relevantes nas escolhas de compra.
A análise concluiu também que a tecnologia continuará a ganhar espaço, mas com novas exigências. A inovação só será valorizada se simplificar processos, permitir personalização útil e melhorar a experiência do utilizador sem se tornar intrusiva. Inteligência artificial, automação e digitalização afirmam-se como ferramentas que podem fortalecer a relação entre marcas e pessoas, desde que usadas com equilíbrio e sem eliminar o fator humano.
Débora Santos Silva também refere que a credibilidade coletiva assume um papel central. Num cenário de informação abundante e facilmente distorcida, os consumidores tendem a confiar mais em avaliações baseadas em experiências reais da comunidade. Esta dinâmica torna a experiência partilhada um indicador de qualidade mais relevante do que a opinião de figuras influentes, explica a responsável.

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