Num contexto mundial marcado pela incerteza, a relação dos consumidores com as marcas está a mudar e quase metade já não tem uma favorita. A conclusão é do estudo Brand Connection: The Age of Meaningful Brands, da Deloitte, que revelou que 45,7% dos inquiridos não se identifica com nenhuma marca em particular.
Apesar disso, as marcas mais pequenas e de nicho estão a conquistar terreno. A confiança nestas empresas cresceu 29,2% nos últimos cinco anos, ultrapassando o ritmo das grandes marcas, que registaram um aumento de 20,1%. A tendência aponta para uma preferência por marcas com identidade clara, narrativas autênticas e relações diretas com o consumidor, concluiu o estudo.
O estudo, que envolveu mais de 7.000 consumidores de sete países (Itália, França, Reino Unido, EUA, China, Japão e Emirados Árabes Unidos), destacou ainda que o setor alimentar e de bebidas lidera o índice de ligação emocional, com uma média de 7,34 em 10.
A análise também concluiu que a confiança em negócios locais e em marcas de nicho aumentou de forma expressiva (43,1% e 39%, respetivamente), sobretudo entre os consumidores mais jovens, que demonstraram maior abertura tanto para marcas emergentes como para grandes players.
Apesar de o “amor à marca” continuar a existir, os consumidores valorizam cada vez mais atributos funcionais: 63,8% afirmaram priorizar marcas que simplificam o dia a dia, 63,6% disseram procurar garantia de qualidade e 62,2% defenderam valorizar a autenticidade. Na Europa, os aspetos práticos, nomeadamente a relevância diária e a fiabilidade, têm um significado particular.
De acordo com a investigação, memórias e valores também influenciam escolhas, com 60,5% a dizerem preferir marcas associadas a boas recordações, enquanto 56,3% afirmaram olhar as suas marcas favoritas como um reflexo dos seus próprios valores e princípios.
O contacto humano mantém relevância, com países como os EUA (30,6%), Itália (29,5%) e Reino Unido (28,8%) a destacarem o papel do atendimento nas decisões de compra.
Entre os consumidores mais jovens, a experiência digital é determinante. Pagamentos rápidos, entregas ágeis e processos de devolução simples assumem-se como fatores decisivos, sobretudo na Europa em setores como moda e luxo (33,2%), assim como alimentação e bebidas (28,9%). A facilidade de acesso digital é prioritária para 44% dos inquiridos.
Segundo o estudo, o comércio social ganha expressão em França (57,6%) e Itália (56,6%), onde muitos consumidores afirmaram poder comprar diretamente através das redes sociais. Já o impacto dos influenciadores também se mantém forte, especialmente entre os jovens dos 18 aos 34 anos (40% a 42%).

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