A Shein recebeu aprovação dos reguladores chineses para avançar com a sua esperada entrada em bolsa em Hong Kong, segundo informação divulgada pelo Wall Street Journal e pela Reuters. A operação poderá acontecer ainda no terceiro trimestre de 2026 e avaliar a retalhista de moda ultrarrápida em cerca de 40 mil milhões de dólares ou mais.
A aprovação da China Securities Regulatory Commission representa um passo relevante no processo de abertura de capital da empresa, depois de tentativas anteriores de listagem em Nova Iorque e Londres terem enfrentado obstáculos regulatórios e políticos. A Shein tinha submetido confidencialmente documentação para a operação em Hong Kong cerca de um ano antes, segundo o Wall Street Journal.
De acordo com a Reuters, a Shein poderá procurar uma avaliação entre 40 mil milhões e 50 mil milhões de dólares na operação, abaixo dos 66 mil milhões de dólares atribuídos à empresa na última ronda privada de financiamento, em 2023. Em 2022, a avaliação da companhia chegou a atingir cerca de 100 mil milhões de dólares, antes de ser pressionada por maior concorrência, escrutínio regulatório e alterações no enquadramento do comércio eletrónico internacional.
A empresa, fundada em Nanjing e atualmente sediada em Singapura, tornou-se uma das principais plataformas globais de moda online, assente num modelo de produção rápida, preços baixos e forte dependência de fornecedores chineses. Apesar de vender para mais de 160 países, a Shein não comercializa os seus produtos no mercado doméstico chinês, o que não eliminou a necessidade de aprovação de Pequim para a operação bolsista.
O processo surge num momento de maior pressão sobre o modelo de negócio da plataforma. Nos Estados Unidos, a alteração das regras de importação de baixo valor reduziu vantagens associadas ao envio direto de encomendas internacionais. Na Europa e no Reino Unido, medidas semelhantes estão em discussão ou preparação, num contexto de maior controlo sobre plataformas de e-commerce de baixo custo e sobre a conformidade dos produtos vendidos online.
A Shein enfrenta ainda escrutínio sobre cadeia de abastecimento, sustentabilidade e responsabilidade das plataformas digitais. O Financial Times refere que uma das dificuldades no processo de Londres esteve ligada à redação dos riscos associados a alegadas ligações da cadeia de abastecimento à região chinesa de Xinjiang. A Comissão Europeia também tem investigado a empresa ao abrigo do Digital Services Act.
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