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Portugueses foram mais vezes às compras, mas levaram carrinho menos cheio

Portugueses foram mais vezes às compras, mas levaram carrinho menos cheio iStock

Em 2023, os portugueses foram mais vezes às compras, com um crescimento de 2,4% na frequência de compra, mas encheram menos o carrinho, uma diminuição de 6,0% no volume em cada ato de compra, de acordo com os dados do Painel de Lares da Kantar, analisado em conjunto com a Centromarca (Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca).

O estudo mostrou ainda que, com a desaceleração da inflação, os padrões de compra dos portugueses estabilizaram, tendo poucas categorias fugido a esta tendência. No entanto, os resultados adiantam que os artigos de higiene e beleza, assim como os produtos petrolíferos, aumentaram o volume de compra em 2023.

 

Para Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca, “2023 foi um ano difícil para as marcas e para boa parte dos retalhistas, com a pressão inflacionista a pressionar as opções de compra dos consumidores, obrigando-os a reduzir substancialmente os volumes comprados, a fazer opções por produtos de menor valor e a ter que abdicar de muitos produtos e de muitas das suas marcas favoritas”.

De acordo com o estudo, “a pandemia trouxe tendências que o ano de 2023 ajudou a consolidar”. Desta forma, na categoria Alimentação e comparando 2023 com 2019, a comida pronta (+28,6%) e os congelados (+5,8%) foram as únicas subcategorias com aumentos de volume.

 

A investigação da Kantar explica que a comida pronta foi a categoria que gerou mais valor, tendo originado maior gasto médio e uma frequência de compra também mais elevada.

No último trimestre de 2023, os portugueses também consumiram mais 16,6% fora de casa do que no mesmo período de 2022. Segundo o estudo, “o aumento deu-se sobretudo ao pequeno-almoço, almoço e jantar (+18,1%), mas a tendência também se verificou entre refeições (+15,0%)”.

 

Já o consumo dentro de casa decresceu 2,5% nos últimos 6 meses de 2023, comparativamente com o período homólogo.

O padrão de compra deve estabilizar em 2024, após vários anos de incertezas causadas pela pandemia e pela crescente inflação, refere o estudo. A Kantar antecipa que, este ano, irá registar-se um aumento de 3,0% no valor gasto em bens de grande consumo e um crescimento de 1,2% no volume por cada ato de compra dos consumidores.

 

“Uma significativa desaceleração da inflação, uma evolução salarial que deverá superar a progressão dos preços ao longo de 2024, a possibilidade de, ao longo do ano, se verificar uma redução das taxas de juro, um emprego que mostra elevada resiliência e um turismo que pode voltar a bater recordes este ano, são argumentos para antecipar alguma recuperação do poder de compra e um mercado de grande consumo mais dinâmico no corrente ano”, acrescenta Pedro Pimentel.

Os dados foram baseados numa amostra de 4.000 lares participantes, representativos de Portugal Continental, dispersos em mais de 1.000 pontos de sondagem, que declararam as suas compras no período em análise das 52 semanas de 2023, com dados até 31 de dezembro de 2023.

 

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