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Paulo Azevedo: “Precisamos de medidas urgentes e ambiciosas nas políticas ambiental e tecnológica, capazes de reverter o declínio dos sistemas naturais”

Paulo Azevedo: “Precisamos de medidas urgentes e ambiciosas nas políticas ambiental e tecnológica, capazes de reverter o declínio dos sistemas naturais”

No âmbito da participação da European Round Table of Industrialists (ERT), organização que reúne líderes de algumas das maiores empresas europeias que, em conjunto, são responsáveis por cerca de cinco milhões de empregos globalmente, Paulo Azevedo, Chairman e Co-CEO da Sonae, salientou que “estas eleições europeias são uma oportunidade para discutir os desafios profundos que a Europa enfrenta e que impactam a vida dos cidadãos”.

O ainda responsável máximo pelos destinos da Sonae – relembre-se que Cláudia Azevedo, irmã de Paulo Azevedo assumirá a liderança da companhia para o quadriénio 2019-2022 a partir do próximo mês de maio – admitiu que “precisamos de medidas urgentes e ambiciosas nas políticas ambiental e tecnológica, capazes de reverter o declínio dos sistemas naturais e fomentar o investimento em inovação, investigação e desenvolvimento. É urgente defender a Europa face a outros blocos económicos e estimular o mercado único, proporcionando aos europeus os verdadeiros valores da união. E precisamos de investir no desenvolvimento dos trabalhadores atuais e futuros, oferecendo-lhes as ferramentas para que desenvolvam as capacidades necessárias para triunfarem na era da transformação digital. Só através da cooperação e comprometimento será possível atingir estes objetivos”.

No novo manifesto Strengthening Europe’s Place in the World (“Fortalecer o lugar da Europa no Mundo”), os 55 presidentes e CEOs de grandes empresas europeias, defenderam que “a Europa precisa de tomar medidas urgentes para lidar com os desafios do século XXI, incluindo combater as alterações climáticas e preparar os cidadãos para o impacto dos desenvolvimentos tecnológicos”.

A ERT, salienta ainda “a paz e a prosperidade que a integração europeia trouxe para os cidadãos nas últimas sete décadas”, mas adverte que “sem uma ação coordenada entre as instituições da União Europeia, governos e empresas, a Europa não conseguirá ajudar os seus cidadãos nos temas mais urgentes do século”.

Assim, os líderes membros da ERT – onde se incluem empresas como ABB, Volvo, L’Oreal, BMW, Heineken, Nokia, BASF, Rolls-Royce, Ericsson, Shell, Deutsche Telekom ou SAP – assumiram conjuntamente numa série de compromissos destinados a aumentar a prosperidade dos cidadãos e a sua confiança na capacidade da Europa para os ajudar.

Carl Henric Svanberg, presidente da ERT e Chairman da Volvo, refere: “Conseguir que as maiores empresas da Europa se unam nestas seis promessas é mais do que um gesto simbólico: estes são compromissos importantes de empresas que sabem que precisam de liderar. Nunca estivemos tão unidos e determinados na defesa da Europa e da EU. Este é um momento crítico para os cidadãos e estas promessas não são feitas de ânimo leve. Estamos absolutamente empenhados em criar emprego e prosperidade em toda a Europa, mas pedimos aos decisores políticos que criem as condições para nos permitir investir”.

Os membros da ERT chamam, também, à atenção para os desafios apresentados pelo surgimento de políticas nacionalistas dentro da Europa e pelo aumento do protecionismo nos principais mercados fora da Europa.

Os seis compromissos dos membros da ERT:

  1. Investimento crescente – As empresas membros da ERT estão a investir mais de 50 mil milhões de euros por ano em I&D na Europa, sustentando cerca de cinco milhões de empregos e estão dispostas a investir ainda mais em conjunto com as ações políticas certas.
  2. Criação de valor para a sociedade – Os membros da ERT assinaram um compromisso que marca o início de uma campanha de longa duração para promover a inclusão e a diversidade nas empresas em toda a Europa e pretendem reforçar as suas interações com a sociedade e contribuir para o desenvolvimento de novas políticas de melhores práticas.
  3. Impulsionar a transformação digital – As empresas membros da ERT vão acelerar as suas próprias estratégias de digitalização, dados e inteligência artificial para capitalizar as oportunidades significativas oferecidas pela transformação digital, ao mesmo tempo que promovem o desenvolvimento de competências para ajudar os cidadãos à medida que a economia se adapta.
  4. Desenvolver competências – As empresas membros da ERT aumentarão significativamente o número de parcerias para a educação empresarial – incluindo estágios de aprendizagem ao longo da vida, estágios e primeiras oportunidades de emprego – e formarão a força de trabalho atual e futura com as competências necessárias nas áreas da digitalização, automatização e inteligência.
  5. Apoiar o comércio – Os membros da ERT apoiarão ativamente a UE a conduzir eficazmente a sua diplomacia comercial, a fim de proporcionar um comércio justo e livre e um crescimento global inclusivo.
  6. Proporcionar a transição energética e combater as alterações climáticas – Os membros da ERT colaborarão com os decisores políticos a nível da UE e do país para garantir que a Europa defina as políticas adequadas necessárias para permitir uma transição energética em conformidade com os objetivos do Acordo Climático de Paris.

As seis prioridades políticas para as instituições da UE:

  1. Reforçar o Mercado Único: legisladores devem concluir a União da Energia, o Mercado Único Digital e a União dos Mercados de Capitais para combater ineficiências.
  2. Aumentar a competitividade: Apoiar o investimento suficiente em investigação e inovação, desenvolvendo, simultaneamente, uma política industrial europeia eficaz, incluindo uma política de concorrência inteligente.
  3. Acelerar a concretização de medidas para a digitalização: Permitir que a Europa esteja na vanguarda da transformação digital, aproveitando todo o potencial da digitalização, dos dados e da inteligência artificial em prol dos cidadãos europeus.
  4. Abordar a lacuna de competências: Aumentar o investimento em educação, formação e requalificação, facilitando a cooperação entre os setores público e privado.
  5. Garantir um comércio global justo e regulado: Assumir uma posição forte perante comportamento injusto.
  6. Assegurar uma transição energética eficaz: Proporcionar uma transição energética efetiva para alcançar as metas do Acordo Climático de Paris, salvaguardando a competitividade global das empresas europeias.