O mais recente relatório Impacts, da consultora imobiliária Savills, antecipa um aumento do investimento global em ativos de retalho. A expansão das redes de lojas por parte dos retalhistas, especialmente em localizações estratégicas, está a impulsionar o crescimento das rendas nos principais mercados, reativando o interesse dos investidores neste segmento do setor imobiliário.
De acordo com a análise, em Portugal, o panorama revela-se especialmente positivo. Os principais indicadores apontam para um ano marcado por uma “forte dinâmica”, quer ao nível do investimento, quer da ocupação.
No primeiro trimestre de 2025, o setor do retalho registou um volume de investimento imobiliário de 383,5 milhões de euros, o que representa um montante “significativamente” acima do verificado no mesmo período de 2024.
O relatório enfatiza que o retalho se manteve como a “classe de ativo mais atrativa”, concentrando mais de metade da atividade de investimento em imobiliário comercial.
No mercado ocupacional, a procura “continua elevada”, sobretudo nas áreas com maior tráfego pedonal. Os retail parks e centros comerciais apresentam taxas de ocupação muito elevadas, evidenciando a vitalidade destes segmentos. No comércio de rua, o principal obstáculo continua a ser a limitada oferta disponível, o que, combinado com uma procura estável, sustenta a tendência de valorização das rendas.
Para José Galvão, Head of Retail at Savills Portugal, “Portugal reúne condições para o desenvolvimento de retalho únicas na Europa. O crescente tráfego de turistas, a possibilidade de incrementar a área de retail parks (ainda diminuta quando comparada com outras geografias), a consolidação dos centros comerciais e o dinamismo das zonas comerciais das principais cidades são as grandes vantagens competitivas. Operadores e investidores olham para estas vantagens como oportunidades num contexto global de grande incerteza”.
Já Oliver Salmon, Capital Markets, Savills World Research, sublinha que “apesar de algumas reservas persistentes, muitos investidores estão a reavaliar a sua abordagem ao retalho. Em 2024, o investimento global neste setor manteve-se estável, com um impulso notório no segundo semestre. Através de algumas transações relevantes, o retalho começou a captar uma fatia crescente do capital institucional. Ainda assim, a recuperação será gradual e exigirá uma seleção criteriosa dos ativos”.
O estudo destacou também que a recente correção de preços nos ativos de retalho está a abrir novas oportunidades de investimento. Deste modo, com yields atrativas, o relatório avançou que o setor se está a tornar cada vez mais competitivo em comparação com outros segmentos, como a habitação ou a logística, que enfrentam uma maior pressão sobre os valores das rendas e apresentam preços mais ajustados devido ao elevado volume de capital já investido.
E a nível internacional?
A nível internacional, o setor do retalho revela dinâmicas variadas consoante a região, explica a análise. Na Ásia-Pacífico, países como a Austrália, Malásia e Índia registaram um aumento do investimento, com particular foco em centros comerciais regionais, enquanto o Japão se destaca pelo crescimento das vendas, impulsionado pelo aumento do turismo.
Nos Estados Unidos da América (EUA), a taxa de desocupação no retalho atingiu um mínimo histórico de 4,7%, refletindo uma procura elevada em várias categorias, embora algumas marcas estejam a abrandar a expansão e a considerar o mercado canadiano como alternativa estratégica. Na Europa, a escassez de novos desenvolvimentos tem valorizado os ativos existentes, com os centros comerciais premium e os retail parks a manterem um desempenho sólido.
“Apesar do abrandamento do setor na Europa, os ativos de primeira linha continuam a ser procurados. Os operadores concentram-se em localizações prime e os segmentos de desporto, lazer e moda ‘value’ lideram a ocupação tanto em ruas comerciais como em centros urbanos. Os retail parks mantêm-se particularmente resilientes, com oferta limitada e forte procura”, comentou Larry Brennan, Head of European Retail Agency, Savills.

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