José Luís Raposo, diretor geral da UHU Ibérica, esteve à conversa com a DISTRIBUIÇÃO HOJE, abordando o processo transformativo da marca em Portugal, num contexto em que foram absorvidas novas dinâmicas e expandidas as categorias de produtos.
Com um legado de oito décadas de presença internacional e quase três em Portugal, Raposo assume que a marca tem vindo a desenvolver, crescentemente, esforços para adotar as melhores práticas e trazer produtos inovadores para o mercado.
Com muitas alterações sentidas durante os últimos anos, quais foram os principais desafios e vitórias que sentiram na vossa organização?
Os desafios são uma constante das organizações e que nos tem permitido crescer, aprender e fazer melhor. Como diz, e muito bem, o mercado está em constante mudança e as empresas e marcas têm de se ir adaptando para conseguir responder de acordo com as necessidades dos consumidores. Uma das grandes vitórias tem sido o crescimento nas áreas de negócios de DIY e Construção. A UHU é uma “love brand” na área da Papelaria, contudo na última década tem tido uma penetração e distribuição muito importante nestes mercados DIY e Construção, exemplo disso são os nossos produtos UHU Removedor de Bolores e Fungos (Escolha do Consumidor em 6 anos consecutivos) e a gama Poly Max.
O core dos vossos consumidores também se alterou? O crescimento do número de consumidores DIY também teve impacto na vossa atividade?
A UHU está muito associada aos produtos de papelaria e escolares, mas hoje, a UHU apresenta uma oferta mais abrangente e diversificada, que abarca outros segmentos de mercado, como a bricolage, a limpeza e a construção. Uma vez que já estávamos no mercado com a área de bricolage, com a pandemia muitos hábitos se alteraram, e esta foi uma das áreas onde houve um grande crescimento. Se no início do estabelecimento da marca em Portugal os nossos consumidores eram maioritariamente da faixa etária 4 anos – 25 anos, atualmente a UHU oferece produtos e soluções dos 4 anos aos 100 anos.
A sustentabilidade assumiu também um papel definidor no que é a estratégia das empresas. Como têm desenvolvido o vosso trabalho neste âmbito?
A aposta na sustentabilidade é uma prioridade para a marca UHU e uma aposta estratégica do Bolton Group (ao qual a UHU pertence). Trata-se de um caminho talvez mais longo e difícil, porque se trata de produtos químicos e muitos deles têm solventes, mas muitos passos já foram dados. Por exemplo, as embalagens são de cartão reciclado e, em alguns produtos, o plástico é quase 100% reciclado, como é o caso dos corretores. Estamos com um grande foco na diminuição do plástico das embalagens, seja pela substituição por cartão ou diminuindo as áreas do plástico. Na base química do produto, há também bastantes desenvolvimentos, no sentido de substituir produtos com solventes por produtos sem solventes. Também têm aparecido novas gerações de produto, como é o caso do Poly Max, com base em polímeros, que não tem solventes. Na área da papelaria, também já demos passos importantes com o Stic ReNature, em que o plástico é feito de cana-de-açúcar e a cola é 100% biológica, feita a partir de amido de uma batata da Áustria. Esta temática está em atualização constante, pois os nossos departamentos de R&D procuram diariamente as melhores soluções nos mercados das matérias-primas e componentes.
Gostaria, também de destacar, a campanha de sensibilização para a reparação que a UHU tem realizado, para incentivar à reparação e recuperação de objetos, fomentando a economia circular e tentando evitar a produção de mais desperdício.
Sendo uma marca histórica, com 80 anos internacionalmente e mais de um quarto de século em Portugal, há uma responsabilidade acrescida nestas temáticas [sustentabilidade e responsabilidade social] ou não sentem essa ‘pressão’?
O tema da sustentabilidade, mais do que uma responsabilidade de todos os cidadãos, é uma grande responsabilidade para as empresas. A sustentabilidade e redução do desperdício estão entre os principais valores da UHU, refletindo-se no programa de sustentabilidade “We Care”, do Bolton Group. o programa baseia-se em três pilares. O primeiro é o aprovisionamento, para a aquisição e uso de recursos e matérias-primas sustentáveis. Garante o fornecimento e a utilização sustentável de recursos e matérias-primas naturais e promove relações com fornecedores que operam de acordo com um modelo de negócio sustentável. Atuando em conformidade com a Política sobre Direitos Humanos do Bolton Group, é garantida uma total transparência e rastreabilidade dos produtos, assim como a proteção dos direitos humanos em toda a cadeia de abastecimento. A produção é o segundo pilar deste programa de sustentabilidade. O grupo implementou uma abordagem circular, de modo a reduzir o impacto ambiental das suas fábricas, limitando as emissões e o consumo de materiais e energia, e reduzindo o desperdício. O terceiro pilar passa pelas pessoas, que são muito importantes para este grupo e essa importância é demonstrada pelo apoio na formação aos trabalhadores, assim como pelo zelo do seu bem-estar, o fornecimento de produtos cada vez mais sustentáveis para o consumidor e, por fim, o trabalho realizado para comunidades com projetos que apoiam a investigação científica, o ambiente e a cultura.
Ainda no âmbito da responsabilidade social somos mecenas, há já alguns anos, do projeto Eco-Escolas promovido pela ABAE, que trabalha todas as questões de sustentabilidade junto da comunidade escolar.
Durante o percurso da marca em Portugal, criou-se também um ambiente concorrencial diverso do que encontram no início da vossa atividade. Quais são as principais alterações que sentem neste âmbito?
A marca UHU têm se vindo a adaptar à evolução e necessidades do consumidor e mercados. O crescimento nas diferentes áreas de negócio permite-nos ter diferentes tipos de concorrência, contudo não existe uma marca que abranja a totalidade das áreas onde trabalhamos. O ambiente concorrencial é importante para todas as empresas, é o que nos permite crescer, aprender e colocar-nos fora da nossa “zona de conforto” e assim criar mais e melhores soluções para os consumidores.
Numa entrevista que deu há algum tempo, lembrava que Portugal, entre os 140 países onde a UHU está presente, é o quinto mercado que mais fatura. A que se deve também esse sucesso? Que casos de sucesso transpuseram para a realidade internacional?
O sucesso da marca UHU deve-se às pessoas (consumidores, parceiros e equipa UHU), à qualidade dos nossos produtos e ao serviço prestado. Sem estes pilares é muito difícil obter sucesso. Um exemplo é a estratégia adotada por Portugal com o produto UHU Removedor de Bolores e Fungos é um caso de sucesso e uma “best pratice” partilhada em todo o grupo a nível internacional.
Sendo uma marca já com um longo percurso em Portugal, qual o marco que gostariam de atingir, daqui a quatro anos, na celebração dos 30 anos de presença em território nacional?
A confiança dos nossos consumidores na marca UHU é o nosso objetivo nº1, naturalmente que queremos crescer, como qualquer marca e empresa, contudo queremos continuar a apostar na inovação, na sustentabilidade, na digitalização, nos recursos humanos e na oferta integrada.

