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Produção

“Não sou crente em alterações significativas no padrão da alimentação humana”

Manuel Sobreiro, Presidente do Grupo CAC, concede esta sexta-feira, dia 16 de julho, uma entrevista à revista DISTRIBUIÇÂO HOJE onde aborda, entre outros temas, o crescimento da Companhia Avícola do Centro.

Falando-nos de uma das marcas mais reconhecidas neste segmento, a Matinados, este responsável diz, até pela sua experiência de trabalho, não acreditar numa transformação drástica dos padrões alimentares dos consumidores.

 

Lembrando o crescimento sólido da empresa, Sobreiro explica ainda à nossa publicação que a qualidade é, nesta fase, um dos elementos distintivos da CAC, sobretudo no que toca a exportações.

Criada ainda na década de 80, a Companhia Avícola do Centro tem crescido desde então, sendo uma referência no mercado português associada a várias marcas. Que balanço fazem do crescimento da empresa?

A empresa teve um crescimento gradual desde 1986, começando com 15.000.000 de ovos vendidos, até 2011, com 240.000.000 de ovos vendidos nessa altura. A partir de 2012, podemos afirmar que se verificou um crescimento exponencial com uma redefinição estratégica da empresa, num movimento de aquisição de algumas empresas que nos levou até um patamar de 600.000.000 de ovos vendidos em 2021. Por isso, fazemos um balanço bastante positivo destes 35 anos de atividade e, em particular, destes últimos dez, salientando como decisiva a aposta na valorização de uma marca em torno do conceito de Ar Livre.

Com um último ano marcado por muitas dificuldades em vários setores, como vos afetou a pandemia de Covid-19 em termos de faturação e que perspetivas têm para os próximos anos?

A empresa, na sua estratégia, tinha um plano de crescimento para os próximos anos em todos os segmentos de negócio. A pandemia veio travar esse crescimento, tendo em conta a redução de vendas para a hotelaria, restauração e pastelarias em 2020, situação que se irá manter em 2021. Esta quebra foi, no entanto, mitigada pela aposta que efetuámos nos últimos anos naquilo que denominamos de produções alternativas de ovos (Biológico, Ar Livre e Solo), o que permitiu uma manutenção das vendas quando comparado com 2019, e uma melhoria dos nossos resultados operacionais. Em 2022, prevemos retomar o crescimento planeado em termos quantitativos.

Com os consumidores cada vez mais exigente relativamente aos produtos que consomem, mas também com tendências como os produtos ‘biológicos’ a ganharem força, que transformações têm feito no sentido de ir ao encontro das necessidades do consumidor?

Desde 2012 que percebemos essa tendência de mercado, muito assente no bem-estar animal e na sustentabilidade, daí a nossa principal aposta no conceito de galinhas ao ar livre, mas também na vertente de ovos biológicos, que passámos a promover e que nos têm permitido crescimentos sempre a dois dígitos. As transformações decorreram de alterações dos sistemas de produção e da maior oferta destes produtos nas prateleiras dos supermercados.

A marca Matinados, uma das referências da CAC, tem vindo a afirmar-se de forma clara no mercado nacional. Que balanço fazem desde o seu lançamento em 1998 e que perspetivas nos pode adiantar para o futuro?

A marca Matinados tem mais de 20 anos, funcionando sempre como um nicho de mercado. Fruto de toda a estratégia já enunciada da qual esta marca é a face mais visível, em 2012 efetuámos o relançamento da mesma com o objetivo de vir a ser a âncora das nossas vendas, com uma aposta forte na comunicação ao consumidor focada nos benefícios do ovo enquanto alimento diferenciador, e naquilo que o conceito de ar livre pode trazer ao bem-estar animal e, consequentemente, aos ovos produzidos.

Por outro lado, com o consumidor também a optar, de forma generalizada, por uma alimentação cada vez mais baseada em produtos de origem vegetal, como têm assistido a toda esta transformação?

Encaramos essa transformação com toda a naturalidade, sempre com a preocupação de elucidar convenientemente o consumidor, tanto que muitas vezes não existe a perceção de que a quase totalidade da alimentação das nossas galinhas é de origem vegetal (milho, trigo, soja, cevada, girassol, etc..).

Que futuro antevê para a alimentação humana? Passaremos a ter, por exemplo, daqui a poucos anos, um padrão alimentar muito diferente do que temos hoje?

Pode ser um pouco por deformação dos muitos anos que me dedico a esta atividade, mas não sou crente em alterações significativas na alimentação humana e, por isso, o padrão alimentar será diferente, mas não significativamente diferente. Especificamente no alimento que produzimos (ovo), a sua qualidade proteica e vitamínica torna-o num alimento muito económico e, assim, com um potencial de crescimento significativo.

A exportação era também um dos aspetos que vinham a registar taxas de crescimento bastante favoráveis durante os últimos anos. Porém, em contexto de pandemia, ‘viraram-se’ mais para o mercado nacional. Compensou, em termos financeiros, esse balanceamento para uma lógica mais interna? 

A exportação teve, no passado, um peso muito significativo nas nossas vendas, mas estas derivaram, na sua maior parte, da exportação de excedente (tendo em conta que éramos um país com uma autossuficiência de 110%) . O crescimento do mercado interno nos últimos levou a que as exportações passassem a ter uma lógica qualitativa, representando hoje apenas 5% das nossas vendas. Em termos financeiros as vantagens foram significativas, porque este crescimento verificou-se em segmentos de maior valor acrescentado.