A maioria dos consumidores continua a ter dificuldade em traduzir a informação disponível sobre os alimentos em escolhas mais equilibradas no dia a dia.
A conclusão é de um estudo da Associação Portuguesa de Nutrição, apoiado pelo Continente e realizado pela Pitagórica, que apontou para um nível global de literacia alimentar de 57,5% entre a população adulta residente em Portugal.
De acordo com a análise, apesar de o acesso à informação sobre nutrição e alimentação ser hoje generalizado, o estudo indicou que continuam a existir dificuldades significativas na transformação desse conhecimento em práticas alimentares equilibradas e em escolhas de consumo mais conscientes e sustentáveis.
O estudo revelou diferenças claras entre grupos da população. Os níveis de literacia alimentar são mais elevados entre os adultos mais jovens, as pessoas empregadas e os agregados com rendimentos mais confortáveis.
Em sentido inverso, os resultados são mais baixos entre os idosos, os desempregados e as famílias com rendimentos insuficientes. Estes dados apontam para desigualdades sociais com impacto direto na capacidade de aceder, compreender, avaliar e pôr em prática informação relacionada com a alimentação.
A análise mostrou também que, embora os inquiridos digam compreender com relativa facilidade parte da informação presente nos rótulos, nas datas de validade e nas recomendações de profissionais de saúde, continuam a sentir dificuldades em aplicar esse conhecimento no dia a dia.
As maiores limitações surgem, por exemplo, na avaliação de selos nutricionais, na interpretação de alegações e informação sobre alergénios, na escolha de alimentos mais equilibrados e na adaptação de receitas e técnicas culinárias.
Segundo o estudo, a distância entre conhecer a informação e conseguir aplicá-la na prática continua, assim, a ser um dos principais entraves à adoção de hábitos alimentares saudáveis.
A análise também concluiu que a dimensão do consumo é a que regista o resultado mais baixo no estudo, com um score de 54,7%. Nesta área, os participantes mostram dificuldades em perceber o impacto social, económico e ambiental das suas escolhas alimentares.
O estudo identificou ainda limitações na compreensão dos efeitos dessas opções na preservação da biodiversidade e no acesso a informação que ajude a ajustar hábitos alimentares de forma a contribuir para o desenvolvimento local.
De acordo com a investigação, perante estes resultados, o principal desafio passa por transformar informação complexa em decisões simples e tornar os conceitos de nutrição e sustentabilidade alimentar mais claros, práticos e fáceis de aplicar no dia a dia. Isso exige a criação de mais ferramentas, oportunidades e contextos que capacitem as pessoas para adotarem comportamentos alimentares mais equilibrados e sustentáveis.

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