O pessoal ao serviço nas empresas da indústria alimentar em Portugal cresceu 9% na última década, atingindo 98,1 mil profissionais, segundo a mais recente análise da Randstad Research ao setor.
De acordo com o comunicado de imprensa, ainda assim, a população empregada global na atividade tem vindo a registar uma trajetória de declínio gradual após o pico pós-pandemia, fixando-se em 89,1 mil trabalhadores no final de 2025.
A indústria alimentar representa 11,1% do total de profissionais em atividade nas indústrias transformadoras em Portugal. O setor contava com 9.582 empresas e registou um aumento de 47,8% na remuneração média mensal ao longo da década.
No conjunto da indústria, que empregava 15,9% do total de profissionais do país em 2025, a indústria alimentar destaca-se pela resiliência e por uma quase paridade de género, contrariando a maior masculinização observada no restante universo das indústrias transformadoras.
Depois de uma quebra de 12,3% em 2021, o setor atingiu um pico de recuperação em 2022. Nos anos seguintes, a tendência inverteu-se, com uma descida gradual até aos 91,1 mil empregados em 2025 e aos 89,1 mil profissionais em atividade no final do mesmo ano.
De acordo com os dados do Sistema de Contas Integradas das Empresas, o crescimento do pessoal ao serviço na década foi impulsionado pelo grupo de abate e conservação de carne, que registou um aumento de 38,3%, correspondente a mais 6.015 pessoas.
No tecido empresarial, o crescimento entre 2014 e 2024 foi liderado pelo fabrico de outros produtos alimentares, com uma subida de 54,2%, e pela preparação de frutos e hortícolas, com um aumento de 36,2%. Em sentido contrário, registaram-se recuos na panificação, de 5,5%, e nos cereais e leguminosas, de 33,2%.
Ao nível das remunerações, o salário médio mensal na indústria alimentar aumentou 47,8% na década, fixando-se em 1.413,31 euros. O valor mais elevado foi registado na produção de óleos e gorduras, com 1.966,25 euros em 2024, enquanto a remuneração mais baixa pertenceu à fabricação de produtos de padaria, com 1.206,67 euros. Apesar disso, o subsetor da padaria liderou o ritmo de valorização salarial, com uma subida de 62,6% no período analisado.
O desemprego registado na atividade situou-se em 5.690 pessoas em abril de 2026, uma melhoria homóloga de 6,7%. O desemprego do setor mantém-se estável em cerca de 2% do total nacional, mas apresenta forte sazonalidade anual.
Embora os volumes absolutos de desemprego estejam concentrados no Norte e em Lisboa e Vale do Tejo, devido à densidade populacional, a relevância proporcional é superior nas Regiões Autónomas. O desemprego do setor representa 3,6% do desemprego total na Madeira e 2,9% nos Açores, face a 1% no Algarve, de acordo com dados do IEFP.
A Randstad Research distingue ainda duas métricas de emprego. O pessoal ao serviço das empresas reflete o emprego registado diretamente através do tecido empresarial, com base no Sistema de Contas Integradas das Empresas do INE. Já a população empregada global mede o mercado sob uma perspetiva macroeconómica, através do Inquérito ao Emprego do INE e do Eurostat.
“A indústria alimentar em Portugal regista uma trajetória estável, com um incremento de 9% no emprego setorial ao longo da última década. No entanto, os indicadores de 2026 refletem assimetrias no mercado: a par da modernização tecnológica em novos segmentos, subsiste uma acentuada disparidade salarial interna e uma volatilidade sazonal e regional”, afirma Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal.
Segundo a responsável, estes fatores condicionam “a retenção contínua de profissionais, sobretudo nas Regiões Autónomas”, tornando prioritária “a valorização das carreiras nas áreas tradicionais do setor”.

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