As carteiras digitais estão a integrar cada vez mais dados de identificação e autenticação biométrica, aproximando identidade digital, pagamentos e experiência de checkout, segundo uma análise da Payments Dive.
A publicação refere que ferramentas como a Apple Wallet e a Google Wallet, já comuns nos pagamentos dos consumidores, estão também a ganhar peso como suportes de identificação digital num contexto em que a identidade está cada vez mais associada a dados biométricos.
“Essencialmente, o rosto torna-se a carteira”, afirma Prashant Sharma, responsável global de produto do JPMorgan Chase para pagamentos biométricos e identidade digital. Segundo o responsável, “o melhor checkout é aquele em que os consumidores não têm de pensar no pagamento, e é isso que a biometria permite”.
A tendência é impulsionada pela crescente utilização de carteiras digitais e pela integração de documentos de identificação em formato móvel. De acordo com a informação disponível, Apple e Google têm reforçado a aposta em documentos de identificação digitais nas respetivas carteiras móveis.
Passkeys e autenticação biométrica ganham escala
A utilização de dados biométricos pelos consumidores está ligada à expansão dos smartphones e das carteiras digitais ao longo da última década. Estes sistemas têm sido associados às passkeys, um método de autenticação baseado numa credencial digital que substitui a palavra-passe, e que permite pagamentos autenticados por biometria.
Segundo a FIDO Alliance, a utilização de passkeys atingiu escala global, com cinco mil milhões em uso ativo. O mesmo relatório indica que cerca de 90% dos consumidores conhecem este método de autenticação e que três quartos já ativaram a sua utilização em algumas contas, com base num inquérito a 11 mil adultos nos Estados Unidos e em outros nove países.
A Visa considera que os pagamentos autenticados por biometria, antes vistos como emergentes, se tornaram mainstream. A rede de cartões refere ainda que a procura dos consumidores por estes pagamentos está a crescer e que os retalhistas começam a integrá-los a um ritmo crescente.
P.J. Linarducci, vice-presidente de pagamentos de consumo da Google, afirma que os consumidores têm acolhido a verificação biométrica de identidade porque esta assenta em ferramentas já usadas no dispositivo, como a impressão digital ou o desbloqueio facial.
 Menos fricção no retalho e nos serviços
No retalho, a biometria é apontada como uma forma de reduzir fricção em momentos de grande volume de clientes, como restaurantes de serviço rápido, recintos desportivos e espaços de entretenimento.
Prashant Sharma refere que, num estádio, a tecnologia pode ser aplicada em vários pontos de contacto, desde a entrada no recinto até à compra de alimentação, bebidas, merchandising ou acesso a lounges.
“Há vários pontos de contacto, e é aí que vemos que isto está realmente a resolver um problema”, afirma o responsável do JPMorgan Chase. “Em vez de estar 30 minutos numa fila para entrar, porque é que não pode ser muito mais simples entrar e pagar os artigos?”
A biometria pode também permitir aos retalhistas reconhecer clientes inscritos em programas de fidelização sem recurso a número de telefone ou PIN, bem como personalizar ofertas. Ainda assim, Nishant Kaushik, diretor de tecnologia da FIDO Alliance, alerta que a identidade deve ser gerida corretamente para evitar que a personalização se transforme em vigilância, invasão de privacidade ou práticas intrusivas.
Fraude, privacidade e confiança continuam no centro
Além da conveniência, a biometria é apontada como uma ferramenta para reduzir fraude. Deepanker Saxena, responsável de produto para verificação documental e biometria da Socure, defende que, em utilizações repetidas, como passageiros frequentes ou clientes que compram regularmente no mesmo retalhista, a identificação facial combinada com verificações técnicas de bastidores pode ser mais segura do que métodos tradicionais.
“Se já verificámos alguém uma vez, é melhor pré-verificar essa pessoa apenas com biometria do que voltar a trazer um documento para o processo”, afirma Saxena. “Isso reduz a quantidade de fraude”, enfatiza.
Apesar dos avanços tecnológicos, a adoção da biometria continua condicionada por fatores culturais, regulatórios e de confiança. Nishant Kaushik sublinha que diferentes regiões tratam a biometria de formas distintas, com países como China, Índia e Singapura a integrarem este tipo de tecnologia em vários contextos, incluindo identificação nacional e pagamentos no retalho, enquanto Europa e Estados Unidos adotam abordagens mais cautelosas em torno da recolha e supervisão de dados pessoais.
Para o responsável do JPMorgan Chase, a identificação e o pagamento biométricos devem ser entendidos como uma forma de simplificar a experiência do consumidor. “Dado que é uma escolha do consumidor, sentimos que todos estes métodos vão continuar a existir, mas o rosto é algo que pode desbloquear toda a experiência de checkout para a tornar muito mais fluida”, afirma.

