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Pagamentos de retalho em Portugal crescem 10,7% em 2025

Pagamentos de retalho em Portugal crescem 10,7% em 2025 iStock

Os pagamentos de retalho realizados em Portugal aumentaram em 2025, tanto em quantidade como em valor, de acordo com o Relatório dos Sistemas de Pagamentos de 2025 do Banco de Portugal.

O Sistema de Compensação Interbancária (SICOI), gerido pelo Banco de Portugal e responsável por processar a generalidade dos pagamentos efetuados em território nacional, assegurou 5,2 mil milhões de operações, no valor de 875,9 mil milhões de euros. Estes números representam aumentos de 10,7% em quantidade e 12,8% em valor face a 2024.

 

Em média, foram processados por dia 14,2 milhões de pagamentos de retalho, no valor de 2,4 mil milhões de euros.

Os instrumentos de pagamento eletrónicos, que incluem débitos diretos, transferências a crédito, transferências imediatas e cartões, cresceram 10,7% em quantidade, para 5,2 mil milhões de operações, e 13,4% em valor, para 821,9 mil milhões de euros. Estes instrumentos representaram 99,9% da quantidade total de operações.

 

As transferências imediatas registaram o crescimento mais expressivo. Em 2025, foram processadas 323,8 milhões de transferências imediatas, no valor de 140,9 mil milhões de euros. Segundo o Banco de Portugal, esta evolução foi influenciada pela entrada em vigor do Regulamento Europeu relativo aos pagamentos imediatos e pela migração de transferências baseadas em cartão para operações assentes em transferências imediatas.

No último trimestre de 2025, as transferências imediatas representaram 70% das transferências em Portugal, quando no mesmo período de 2024 tinham correspondido a 10,3%. No conjunto do ano, tiveram pela primeira vez um peso superior ao das transferências a crédito no total de operações processadas no SICOI: 6,2% contra 3,6%.

 

Em valor, as transferências a crédito continuaram a ser mais relevantes, representando 46,9% do total processado no SICOI. As transferências imediatas corresponderam a 16,1%.

Os cartões mantiveram-se como o instrumento mais utilizado nos pagamentos do dia a dia, com 4,4 mil milhões de operações, o equivalente a 85,2% da quantidade total de pagamentos processados no SICOI. As operações com cartão cresceram 5,4% em quantidade e 9% em valor, atingindo 227,6 mil milhões de euros. O valor médio por transação foi de 51,3 euros.

 

No final de 2025, existiam em Portugal 567,4 mil terminais de pagamento automático e 13,7 mil caixas automáticos, incluindo caixas de redes internas. O país dispunha, em média, de 52,8 terminais de pagamento automático e 1,3 caixas automáticos por cada mil habitantes.

O número de cartões de pagamento ativos emitidos por prestadores de serviços de pagamento residentes em Portugal atingiu 30,2 milhões, mais 0,6% do que no ano anterior. Destes, 28,6 milhões tinham função de débito e 9,9 milhões tinham função de crédito.

A tecnologia contactless continuou a ganhar peso. No final do ano, 85% dos cartões e 93% dos terminais de pagamento automático estavam habilitados a funcionar com esta tecnologia. Os pagamentos contactless atingiram 1,7 mil milhões de operações e 43,8 mil milhões de euros, com um valor médio de 26,2 euros por transação. Face a 2024, aumentaram 15,3% em quantidade e 19% em valor.

As compras online com cartões nacionais também cresceram. Em 2025, aumentaram 19,3% em quantidade e 19,7% em valor, passando a representar 19,1% da quantidade e 23,1% do montante agregado das compras realizadas com cartões emitidos em Portugal.

A fraude nos pagamentos eletrónicos manteve-se reduzida e diminuiu face ao período homólogo. No primeiro semestre de 2025, os débitos diretos registaram quatro operações fraudulentas por cada milhão de operações. Nas transferências a crédito foram observadas dez operações fraudulentas por cada milhão e, nos cartões, 66 por cada milhão.

O relatório destaca ainda a importância da resiliência das infraestruturas de pagamento. O apagão de abril de 2025 e as tempestades de fevereiro de 2026 evidenciaram, segundo o Banco de Portugal, a necessidade de mecanismos de contingência eficazes e de coordenação entre os principais intervenientes do mercado.

Neste contexto, o Banco de Portugal iniciou, em articulação com o Fórum para os Sistemas de Pagamentos, a elaboração de um Plano Nacional para a Resiliência dos Pagamentos, com o objetivo de reforçar a capacidade de resposta do ecossistema nacional a eventos severos.

No domínio da inovação, o Banco de Portugal lançou o serviço de verificação de beneficiário, que permite validar a correspondência entre o nome do beneficiário introduzido numa operação e os titulares da conta de destino. Até 31 de dezembro de 2025, o serviço processou 94 milhões de pedidos.

 

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