Os Santos Populares voltaram a impulsionar os pagamentos por cartão em Lisboa e no Porto, mas com um valor médio por compra inferior ao registado em 2025, segundo dados do REDUNIQ Insights, relatório da UNICRE que analisa os pagamentos por cartão na sua rede nacional.
De acordo com o comunicado de imprensa, os dados apontam para uma tendência comum às duas cidades: mais transações durante os períodos festivos, mas menor gasto médio por compra. No Porto, a faturação aumentou face ao ano anterior, enquanto em Lisboa a subida do número de operações não foi suficiente para compensar a quebra do ticket médio.
Nos dias 23 e 24 de junho, associados aos festejos de São João, o Porto registou um aumento de 6,19% na faturação, face ao mesmo período de 2025, acompanhado por uma subida de 14,85% no número de transações. Ainda assim, o valor médio por compra recuou 7,54%, para 21,01 euros.
Em Lisboa, nos dias 12 e 13 de junho, período das celebrações de Santo António, o número de transações cresceu 7,41%, mas a faturação diminuiu 4,95%. O ticket médio caiu 11,51%, passando de 33,33 euros para 29,49 euros.
No Porto, a evolução positiva foi sobretudo impulsionada pelos cartões nacionais. A faturação com estes cartões aumentou 11,86%, acompanhada por uma subida de 14,70% nas transações. Já nos cartões estrangeiros, as transações cresceram 15,14%, mas a faturação registou uma ligeira descida de 0,27%, refletindo uma quebra de 13,38% no ticket médio, que se fixou nos 27,53 euros.
Em 2026, os cartões nacionais representaram 56,06% da faturação total durante o São João, acima dos 53,22% registados em 2025.
Em Lisboa, a evolução dos negócios foi igualmente marcada pelos pagamentos nacionais. Apesar de as transações com cartões nacionais terem aumentado 8,22%, a faturação recuou 10,29% e o valor médio por compra caiu 17,10%, para 25,59 euros.
Os cartões estrangeiros revelaram maior resiliência na capital, com um crescimento de 5,70% nas transações e de 4,07% na faturação. O peso da faturação estrangeira aumentou de 37,14% para 40,67%, destacando-se os Estados Unidos da América (EUA), a Irlanda e o Brasil entre os principais mercados de origem.
 Na análise por setores, o Porto registou os maiores crescimentos de faturação em cabeleireiros, com uma subida de 65,75%, acessórios automóveis e oficinas, com 29,48%, papelarias, livrarias, revistas e tabaco, com 23,56%, gasolineiras, com 22,23%, e retalho alimentar tradicional, com 15,38%.
Em Lisboa, os maiores aumentos de faturação foram registados no retalho alimentar tradicional, com 29,02%, papelarias, livrarias, revistas e tabaco, com 26,03%, perfumarias, com 22,35%, hipermercados e supermercados, com 16,42%, e saúde, com 11,67%.
“Os Santos Populares são um verdadeiro barómetro da vitalidade do comércio local. Em 2026, Lisboa e Porto registaram mais pagamentos por cartão, confirmando a capacidade destes eventos para gerar movimento e dinamizar os negócios. No entanto, os dados mostram também um consumidor mais racional no momento da compra: há mais transações, mas um menor gasto médio por compra”, afirma Tiago Oom, Head of Merchant Acquiring na UNICRE.
Para o responsável, “o desafio passa por transformar fluxo em valor, ajustando a oferta aos diferentes perfis de consumidor e aos diferentes momentos do mercado”.

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