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O pré e pós Estado de Emergência nos FMCG

Kantar_COVID_29_05_2020

Quatro semanas depois do primeiro caso de COVID-19 ter sido confirmado em território português, a Kantar Portugal traça um cenário pré e pós declaração do Estado de Emergência no que toca às compras de Fast Moving Consumer Goods (FMCG) no nosso país.

Dia 2 de março marca a confirmação do primeiro caso de COVID-19 em Portugal, admitindo a Kantar Portugal que “a resposta dos portugueses não poderia ter sido mais pronta”. No dia seguinte, verificou-se a maior afluência às lojas de 2020 (até à data), uma presença de compradores 51% acima da média diária verificada durante este ano, um cenário bastante atípico, sobretudo por se tratar de um dia de semana, deixando bem marcada a sua preocupação face à ameaça do vírus.

Desde o dia 3 de março até ao final dessa semana, apesar de se ter verificado um aumento natural na compra de produtos alimentares, o principal objetivo desta compra foi sobretudo produtos de higienização, tanto para o lar como para cuidado pessoal, que registaram um número de produtos comprados 23% e 22%, respetivamente, acima da média semanal verificada até ao final do mês de fevereiro. No geral, do dia 3 ao dia 8 (domingo) foi registado um aumento no número total de produtos comprados para os lares na ordem dos 19%.

O cenário de pandemia
Dia 11 de março marca outa data relevante no consumo FMCG, quando o COVID-19 foi declarado pela OMS como pandemia.

Do dia 11 ao dia 14, dia anterior à declaração das restrições no acesso e na afetação dos espaços nos estabelecimentos, verificou-se uma nova “onda” de deslocações às lojas. Neste período, a afluência de compradores esteve 24% acima da média diária de 2020. “Com o número de recomendações para a permanência dentro de casa a expandirem-se, os portugueses foram aumentando consideravelmente o tamanho da cesta por compra, sendo que desta vez o alvo principal não foram só os produtos de limpeza, mas também a procura pelo armazenamento alimentar”, revela a consultora, com um registo do número de produtos comprados 49% e 37%, respetivamente, acima da média “Pré COVID-19” (até ao final do mês de fevereiro). Neste espaço de tempo, a quantidade diária de produtos comprados esteve 45% acima da média anual, representando assim o grande momento de stockagem das famílias portuguesas.

A emergência de um Estado
A partir do dia 15 de março, quando o acesso às lojas foi restringido, ao mesmo nível que a afluência às lojas ia diminuindo consideravelmente, “o tamanho das cestas aumentava na mesma proporção, porém nesta altura deixaram de ser batidos recordes de compras e sentia-se o pronúncio da esperada retração, após a intensa procura verificada nas duas semanas anteriores”, salienta a Kantar na sua mais recente análise.

Pronúncio esse que foi efetivado a partir do dia 19, o dia seguinte à decretação do Estado de Emergência em Portugal, indicando os dados da Kantar que a afluência às lojas “diminuiu drasticamente para os valores mais baixos de 2020 até à data, tendo mesmo chegado no domingo dia 22, ao nível de compradores mais baixo do ano, 42% abaixo da média diária do ano”.

A diferença é que o tamanho de cada cesta nesta data atingiu níveis máximos, mas mesmo assim foi inevitável a quebra abrupta das compras de FMCG.

No computo geral, da terceira semana após a confirmação do primeiro caso do vírus, “o saldo total de produtos comprados ficou na média”, diz a Kantar, face ao período pré COVID-19, porém “numa tendência clara de decrescimento que se poderá agravar nas próximas semanas, até se encontrar um novo equilíbrio no padrão de compra”, conclui.

Quanto aos produtos comprados, ou como a Kantar apelida, a “cesta de sobrevivência” dos portugueses Pré e Pós COVID-19, dentro da alimentação, destaque para, nas duas primeiras semanas, para a aquisição de produtos frescos (sobretudo as frutas, as verduras e a carne). Porém, a menor capacidade de reposição face à procura fez com que nem todos os lares tenham tido o mesmo nível de acesso a estes produtos, resultando que no global destas três semanas a compra de produtos frescos tenha ficado na média face ao período antes da crise.

De forma mais consistente surgiu a procura de produtos básicos e de longa duração, destacando-se como principais as leguminosas, sobretudo grão e feijão, farinhas, peixes e legumes em conserva, massa e num segundo plano o arroz, azeite, vinagre, sal, açúcar, bolachas e produtos congelados, desde salgados, a verduras até à carne e peixe.

Para concluir, destaque para a importância dos produtos básicos e limpeza e higiene, sobretudo luvas domésticas/descartáveis, detergentes para roupa, lixívia e produtos de papel no geral, não só o papel higiénico, mas também lenços, rolos de cozinha e guardanapos. Na área da higiene pessoal sabonetes e fraldas foram as grandes prioridades.

No questionário realizado às famílias portuguesas pela Kantar Portugal, sobre as suas preocupações e mudanças de hábitos face ao momento atual (a primeira vaga realizada entre os dias 13 e 20 de março), revelou que o grau de preocupação de 81% dos portugueses já era bastante elevado (% de respostas com a classificação de 8 ou mais, numa escala de 0 a 10). Algumas das principais alterações identificadas nas rotinas diárias foram o ato de lavar mais vezes as mãos (83%), a redução do consumo fora de casa (77%) e a menor utilização de transportes públicos (62%).