Consumo

COVID-19 altera comportamento de consumo dos portugueses

COVID_19_Kantar_Centromarca

O Coronavírus (COVID-19) alterou o comportamento de consumo dos portugueses. Com o surgimento dos primeiros casos de suspeita de contaminação no mundo, isto no período até à semana de 26 de janeiro de 2020, a 9.ª edição do estudo “Marcas+Consumidores”, realizado pela Kantar para a Centromarca, revela que os gastos por ato de consumo dos portugueses aumentaram, 8% para 38,40 euros, registando-se, igualmente, mudanças na forma como se consumiu, com as idas ao supermercado a serem reduzidas, mas a aumentar o gasto em cada compra.

Mas se no 1.º período (até 26 de janeiro) a subida foi de 8%, no 2.º período (de 26 de janeiro a 23 de fevereiro), essa subida foi de 13% face a igual período do ano passado, totalizando cada ato de compra 39,40 euros.

Globalmente, segundo o estudo, nas primeiras oito semanas do ano (até 23 de fevereiro), os portugueses foram menos uma vez ao supermercado, face a igual período em 2019. Ainda assim, gastaram mais 11% em cada visita à loja, com um gasto superior em 38,90 euros.

Ainda mesmo antes da confirmação do primeiro caso de COVID-19 em Portugal (a 2 de março), já apareciam os primeiros sinais de mudança, com um aumento do consumo de bens de alimentação e de bebidas (10%), de papel higiénico (8%), produtos de limpeza (7%) e de produtos de higiene e perfumaria (3%).

Neste período, os produtos com maior procuram foram azeite (+19%), salsichas e carne fresca (+11%) no alimentar; toalhitas (+18%), sabonete líquido e sólido (+11%) na higiene pessoal; lenços de papel (+9%), rolos de cozinha (+5%) e papel higiénico (+4%) no “tissue”; e lixívias (+22%), aditivos para máquina da loiça e roupa (+10%) nos produtos de limpeza.Confirmado foi, igualmente, o crescimento do comércio eletrónico, depois deste ter caído após o período das férias de natal do ano passado. De facto, o estudo mostra que o consumo FMCG (gasto por ato de compra) via e-commerce desceu de 59,50 para 50,60 euros no período até 26 de janeiro (P1), com o número médio de categorias compradas também a diminuir de 11,6 para 10,2. A evolução do 1.º para o 2.º período (26 de janeiro a 23 de fevereiro) é bem notória, mostrando os dados da Kantar que o gasto por ato de compra passou para 60,5 euros e o número médio de categorias adquiridas pelos portugueses subiu para 12,8. 

“Como é natural, a forte afluência às lojas e os receios associados aos riscos de contaminação levaram muitos consumidores a optar ou a reforçar as suas comprar online”, refere Marta Santos, Manufacturers Sector Director da Kantar, acrescentando ainda que “essa maior procura pela compra online, acontece, contudo, num momento de forte pressão sobre a cadeia de abastecimento, gerando, tendencialmente, uma dificuldade acrescida de resposta”.

Certo é que na 2.ª fase – alerta e controlo elevado durante o mês de fevereiro, com uma multiplicação de casos confirmados – os gastos sobem ainda mais por cada ato de compra, 13% o que equivale a um gasto de mais 39,40 euros por cada ida ao supermercado.

Encontrando-se o país inteiro a aguardar o resultado da reunião do Conselho de Estado de amanhã (18 de março), a Centromarca admite que o maior impacto está “ainda por se sentir” e as informações conhecidas nos últimos dias irão condicionar fortemente o mercado do grande consumo, considerando Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca, que “as marcas e as insígnias terão, neste momento crucial, que se adaptar, definir prioridades e fornecer valor em tempo real aos consumidores”.

Essa adaptação passará, clara e naturalmente, por serviços diferenciadores e facilitadores tanto do lado do retalho como dos fabricantes. Exemplos disso, são alguns dos movimentos de ajuda que surgiram na Internet como exercício físico, ajuda/sugestão de como entreter as crianças nas brincadeiras e manutenção dos hábitos escolares, ou de oferta de dados pelas operadoras de telecomunicações, não sendo, ainda, visível medidas/serviços oferecidos pelas marcas e retalhistas, além dos que já eram oferecidos.