À medida que o verão de 2025 avança, o setor do retalho global enfrenta um momento decisivo. Com consumidores cada vez mais cautelosos, margens sob pressão e a inteligência artificial a remodelar operações, os retalhistas tentam reinventar-se para sobreviver — e, se possível, prosperar — num mercado que já não responde aos velhos estímulos.
Os consumidores mudaram e a inovação tecnológica, a eficiência operacional e a leitura fina das expectativas do público são, mais do que nunca, os fatores assinalados para o sucesso, conforme noticia o PYMNTS.
Campanhas como o Prime Day da Amazon ou a Semana Walmart+, habitualmente celebradas como picos de consumo, revelaram este ano um consumidor mais contido, focado em utilidades e pouco disposto a compras impulsivas.
A Amazon estendeu a sua campanha promocional a quatro dias e gerou receitas de milhares de milhões de dólares. No entanto, a maior parte das vendas concentrou-se em produtos abaixo dos 20 dólares. O gasto médio familiar, de cerca de 156 dólares, manteve-se praticamente inalterado em relação a 2024, apesar da inflação estar a dar sinais de abrandamento.
A Walmart respondeu promovendo descontos em artigos escolares e reiterando a promessa de “preços baixos todos os dias”.
Um novo tipo de consumidor exige um novo tipo de resposta
O consumidor de hoje, sobretudo entre os mais jovens — Geração Z e millennials —, está mais exigente, informado e sensível ao contexto económico. Espera personalização, rapidez, transparência e fluidez total entre o digital e o físico. E, acima de tudo, valoriza o equilíbrio entre preço, experiência e valores.
O cenário económico tem um peso cada vez maior nas decisões de compra. Segundo um estudo da PYMNTS Intelligence, mais de 80% dos consumidores alteraram os seus comportamentos de compra para lidar com os custos acrescidos — e quase metade já ajustou hábitos devido ao impacto direto das tarifas.
Inovação: o novo campo de batalha
Com os preços sob escrutínio constante, é na tecnologia que reside a maior oportunidade de diferenciação. A Amazon aposta numa abordagem integrada e de larga escala, reforçando os seus centros de distribuição com inteligência artificial preditiva e renovando o investimento num dos principais líderes mundiais em IA generativa.
A Walmart, por sua vez, foca-se na descentralização da inteligência: está a reestruturar equipas, dispensando cargos administrativos e investindo na capacitação dos colaboradores em loja, com ferramentas baseadas em IA para tarefas como verificação de stock, gestão de inventário e apoio ao cliente.
Retalho de menor dimensão em dificuldade
A análise foca também nas lojas de média dimensão que enfrentam dificuldades acrescidas. Sem a escala para competir em preço e sem os recursos para apostar em tecnologia avançada, acabam por tornar-se mais vulneráveis. Alguns tentam adaptar-se com estratégias omnicanal, mas a falta de capital continua a ser um obstáculo.

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