Cerca de 48% dos consumidores afirmou que partilharia os seus dados pessoais se isso significasse ter uma melhor experiência de cliente com uma marca e 30% disse que trocariam dados pessoais por dinheiro, produtos ou serviços.
As conclusões são de um estudo da agência Jack Morton, intitulado “Consumer Trust and Personalization Insights: Unlock the Future of Brand Experience”, sobre privacidade de dados do consumidor e confiança na marca.
O relatório, que entrevistou 5.000 consumidores nos Estados Unidos da América (EUA), Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Singapura, concluiu que, anteriormente mais de 61% dos consumidores dos EUA preferiam manter os seus dados privados, mas esse número continua a cair para 52% após a chegada da Inteligência Artificial (IA), mais concretamente do ChatGPT.
Já consumidores mais velhos (50 anos ou mais) mostraram-se particularmente interessados em manter a privacidade dos dados (76%) em comparação com 42% dos consumidores mais jovens (18-29).
Mais da metade (63%) dos consumidores disseram ainda esperar que experiências de marcas orientadas por IA sejam mais envolventes, personalizadas (59%), relevantes (57%) e ecologicamente corretas (57%).
Desta forma, a análise revelou que a capacidade da IA em entregar uma experiência individual mais personalizada “é um atrativo significativo para consumidores dispostos a partilhar os seus dados”.
“Estamos no auge da era da IA e a chegada de ferramentas como o ChatGPT marca uma grande mudança nos relacionamentos entre marcas e consumidores. A oportunidade para experiências personalizadas é óbvia, mas as marcas devem ser muito claras sobre o valor que os consumidores recebem em troca dos seus dados”, afirmou Joe Panepinto, diretor executivo de estratégia na Jack Morton.
Neste sentido, o relatório refere que, para as marcas terem sucesso junto dos seus consumidores, devem articular claramente o valor específico ou benefícios que os participantes vão receber em troca dos dados que fornecerem; oferecer sempre aos participantes a opção de manter os seus dados privados, mas explicar, de forma transparente, os benefícios que podem obter com esta partilha; não negligencie os participantes mais velhos, uma vez que estão, muitas vezes, dispostos a partilhar os seus dados se isso levar a uma experiência significativamente melhor; se a recolha de dados não conduzir a uma melhoria tangível da experiência do cliente, não recolher, de todo, dados.
“À medida que a tecnologia se torna mais engenhosa na personalização das interações, estamos a assistir a uma clara mudança – as pessoas estão cada vez mais dispostas a partilhar os seus dados pessoais se isso conduzir a experiências mais cativantes, relevantes e envolventes. Isto reflete o aumento da importância das recompensas personalizadas no processo de decisão, ultrapassando o instinto de proteção da privacidade por parte do cliente”, referiu Joe Panepinto.

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