A Optiply é uma empresa holandesa/portuguesa de soluções para a supply chain. A empresa surgiu em 2015, está em Portugal desde 2017 e quer agora mostrar como a inteligência artificial pode ajudar na automatização. Em entrevista à Mob Magazine, Sander van den Broek, o cofundador e CTO da empresa, explica como a empresa quer ser o disruptor da supply chain.
A atividade da Optiply tem como base a automatização da supply chain através da inteligência artificial. De que maneira esta tecnologia tem potencial de mudar a forma como vemos hoje o setor?
A pandemia moveu a supply chain do backstage para o palco principal. Não têm simplesmente existido suficientes indivíduos qualificados para gerir as decisões de compra na cadeia de abastecimento. É aí que nós entramos. Com a nossa ferramenta de compra as pessoas podem tornar-se super-heróis. Existe também um problema muito maior a longo prazo na supply chain: ela necessita de ser sustentável para não arruinar o nosso planeta. A Optiply desempenha um papel nisso, certificando-se de que só se têm exatamente os produtos que se precisa para vender, diminuindo o desperdício.
Que papel pode ter a inteligência artificial no resolver do atual problema da disrupção da cadeia de abastecimento? Como é que a Optiply está preparada para essas disrupções?
A inteligência artificial pode automatizar todos os milhares de milhões de decisões diárias (mesmo até para as pequenas e médias empresas). Tal conduzirá a operações muito mais escaláveis e tranquilas de supply chain. Nós não estamos preparados para esta disrupção. Nós somos o disruptor. Nós incorporámos desde o primeiro dia algoritmos no nosso núcleo.
A sustentabilidade é hoje foco de quase toda a atividade humana. Referem no vosso site que querem transformar a cadeia de abastecimento num processo verde e sustentável. De que maneira?
A maior parte das apostas de sustentabilidade em supply chain estão focadas em fazer o que nós fazemos da forma mais eficiente possível (camiões elétricos, produção eficiente, etc.). Apesar de serem ações vitais, não cobrem toda a questão. Em primeiro lugar, nós precisamos de encomendar, produzir, enviar e armazenar um produto? Esta pergunta ainda não foi respondida. É esse o nosso foco: certificar que todos os produtos certos são encomendados para satisfazer a procura, mas nada mais.
A Optiply foi selecionada para o Rise Program da organização não governamental Techleap.nl, que tem como missão ajudar a acelerar o ecossistema tecnológico na Holanda. Que impacto esta seleção vai ter na operação e na visão a longo prazo da empresa?
Esta seleção ajudou-nos a aguçar a nossa visão e a tornar os nossos objetivos mais claros. O programa coloca-nos no mapa global das empresas, investidores e origina muita publicidade.
Desde 2017 possuem atividade em Portugal. O que levou à aposta neste mercado? Quais os próximos passos?
Nós conhecemos uma pequena equipa de três indivíduos supertalentosos em Portugal e reparámos como as mentalidades portuguesas e holandesas são semelhantes. Logo depois decidimos mudar totalmente todo o nosso desenvolvimento para Portugal. Não olhámos para trás desde aí. A curto prazo pretendemos duplicar a equipa tecnológica, através do recrutamento de Frontend e Backend developers, QA engineers e Devops. A visão a longo prazo passa por criar uma equipa comercial de forma a iniciar a entrada nos mercados português e espanhol.


