O segmento do retalho subiu 42% em volume total de investimento imobiliário no decorrer do ano passado comparativamente a 2022, destacando-se como uma das áreas mais resilientes em 2023, segundo dados da consultora imobiliária Savills Portugal.
De acordo o comunicado, centros comerciais e retail parks, stand-alones, superfícies de distribuição alimentar e lojas de rua foram os formatos que captaram um maior interesse por parte dos investidores.
Em 2023, Portugal seguiu a trajetória da Europa e registou um decréscimo acentuado nos volumes de investimento, tendo o mercado registado um total de 1.6 mil milhões de euros. Segundo a consultora, a quebra é justificada por fatores como:
– As elevadas taxas de inflação;
– O aumento do custo da dívida;
– O desencontro de expetativas do preço de venda entre compradores e vendedores.
“Os processos de tomada de decisão mais lentos, diretamente influenciados pelos riscos de uma realidade macroeconómica instável, resultaram numa diminuição natural de transações afetando, em particular, operações com tickets de investimento mais elevados ou que envolvem ativos secundários com maior risco associado”, refere a Savills em comunicado.
No ano passado, com exceção do segmento de retalho e de hospitality, todos os restantes setores observaram “descidas expressivas” nos seus volumes de investimento relativamente a 2022.
A consultora enaltece ainda a importância de referir que “pela primeira vez, o investimento nos denominados segmentos alternativos ter ultrapassado o volume de investimento observado em segmentos estrela e mais tradicionais, como é ocaso do segmento de escritório”.
Origem do capital do investimento
 De acordo com o comunicado, no ano transato, “foram fechadas 79 transações de investimento, 54% das quais assinadas por investidores nacionais que representaram 30% do volume total de investimento imobiliário, com fundos de investimento imobiliário, family offices e investidores privados a direcionarem o seu capital para a aquisição de ativos nos segmentos de retalho, hospitality e escritórios”.
Já relativamente ao capital cross-border, registou-se um volume de investimento de 1.1 mil milhões de euros, direcionado em grande parte para os segmentos de hospitality, retalho, healthcare e student housing.
A Savills admite ainda que a recuperação do mercado de investimento ao longo deste ano estará “diretamente interligada com o momento em que se iniciar a descida as taxas de juro, conduzindo a uma maior estabilidade dos indicadores económicos e ao aumento dos índices de confiança dos agentes”.
De acordo com a consultora, isto levará a que os investidores adotem novas estratégia como, por exemplo, diversificando o risco, ou seja, redirecionando-se para segmentos alternativos, a par do crescente interesse nos segmentos de hospitality e retail.

