A Jerónimo Martins registou lucros de 646 milhões de euros no ano passado, uma subida de 7,9% face ao ano anterior, anunciou esta quarta-feira o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos.
Em comunicado enviado à CMVM, a dona do Pingo Doce refere que as vendas cresceram 7,6% em 2025, para 35.991 milhões de euros, em linha com os resultados preliminares já divulgados. O EBITDA aumentou 11,1%, para 2,5 mil milhões de euros, e a margem melhorou para 6,9%, face aos 6,7% registados em 2024.
“Em 2025, apesar da pressão exercida pelos desafios geopolíticos e pelas tensões comerciais na economia internacional em geral e nos mercados onde operamos em particular, as nossas Companhias demonstraram uma notável capacidade de adaptação, entregando um crescimento robusto das vendas, bons resultados e geração de caixa, e preservando o retorno ao capital investido”, afirmou Pedro Soares dos Santos na comunicação que acompanha a divulgação dos resultados.
O presidente do conselho de administração e CEO da Jerónimo Martins sublinhou ainda que “o ano inicia-se com uma escalada da instabilidade geopolítica, cujos efeitos nos diferentes indicadores macroeconómicos, entre os quais o preço da energia e a inflação alimentar, são, neste momento, imprevisíveis”.
“Como Grupo estamos conscientes de que, num contexto cada vez mais complexo, vamos precisar de, a cada momento, rever o sentido de prontidão das equipas que têm muito claras as prioridades: crescer de forma sustentável e rentável, mantendo a liderança em preço e continuando a trabalhar com o propósito de garantir produtos alimentares de qualidade para os milhões de consumidores que nos visitam diariamente”, enfatizou o responsável.
Em Portugal, as vendas do Pingo Doce subiram 5,3%, para 5,3 mil milhões de euros, com um crescimento Like-For-Like (LFL) (indicador de vendas comparáveis) de 4%, excluindo combustível. Já o Recheio faturou 1,4 mil milhões de euros, mais 3% do que em 2024, também com um LFL de 3%.
Já a Biedronka, responsável por 70% da faturação do grupo, superou os 25 mil milhões de euros em vendas no ano em que assinalou 30 anos, após um crescimento de 7,5% face a 2024. Em moeda local, o indicador de vendas comparáveis (LFL) avançou 1,9%.
A Hebe, cadeia polaca de saúde e beleza do grupo, registou vendas de 626 milhões de euros, mais 7,4% do que em 2024, apesar da deflação no cabaz.
Na Colômbia, a Ara fechou o ano com vendas de 3,2 mil milhões de euros, uma subida de 13,3% face a 2024. Em moeda local, o LFL foi de 5,8%.
Após investir 1,2 mil milhões de euros e distribuir 371 milhões em dividendos, o grupo terminou 2025 com uma posição líquida de caixa de 866 milhões de euros. A dívida líquida fixou-se em 3,3 mil milhões de euros.
Previsões para 2026
A Jerónimo Martins antecipou que, no geral, os consumidores continuem a dar prioridade aos preços baixos e às promoções, num contexto em que a concorrência no retalho alimentar deverá manter-se intensa, sem sinais de abrandamento.
Cenário que se refletem também em Portugal, com a empresa a prever que as famílias continuem focadas em promoções fortes e em oportunidades de poupança com impacto real no orçamento.
Nesse cenário, o Pingo Doce deverá manter a aposta na diferenciação com o conceito All About Food, centrado na comida pronta e nos produtos perecíveis, ao mesmo tempo que avança com o plano de investimento, que inclui cerca de 10 novas lojas e 40 remodelações.
No Recheio, a abertura no início de fevereiro de uma nova loja na Grande Lisboa veio reforçar a presença da insígnia numa região estratégica para o canal HoReCa. Já a rede de parcerias Amanhecer deverá continuar a crescer, contando atualmente com 758 localizações.
A Jerónimo Martins fechou 2025 com 6.469 lojas, das quais 540 em Portugal (497 supermercados Pingo Doce e 43 unidades Recheio), empregando no mercado nacional cerca de 35 mil pessoas.

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