O Grupo DHL iniciou 2026 com crescimento dos resultados, apesar da instabilidade geopolítica e das tensões comerciais internacionais. No primeiro trimestre, o grupo registou um lucro operacional de 1,5 mil milhões de euros, mais 8,3% face ao mesmo período de 2025, e receitas de 20,4 mil milhões de euros.
De acordo com o comunicado de imprensa, em termos orgânicos, excluindo efeitos das taxas de câmbio e outros efeitos extraordinários, as receitas cresceram 2%. Ainda assim, devido sobretudo ao efeito cambial, as receitas reportadas ficaram ligeiramente abaixo do registado no primeiro trimestre do ano anterior.
O resultado líquido aumentou 3,3% em termos homólogos, para 812 milhões de euros. O lucro por ação básica foi de 0,73 euros, acima dos 0,68 euros registados no primeiro trimestre de 2025. O free cash flow, excluindo M&A, cresceu 65%, para 1,2 mil milhões de euros.
O investimento em ativos adquiridos, ou Capex, totalizou 518 milhões de euros, mais 12,4% em termos homólogos. Segundo a informação divulgada, a maior parte do aumento refletiu investimentos nas divisões Supply Chain e Post & Parcel Germany.
Tobias Meyer, CEO do Grupo DHL, afirma que “este arranque positivo demonstra a resiliência do modelo de negócio e o impacto das medidas de eficiência implementadas. Apesar das perturbações geopolíticas, a DHL continua a garantir o transporte de cargas e o funcionamento das cadeias de abastecimento dos clientes”.
No âmbito da Estratégia 2030, o grupo mantém investimentos em eficiência operacional e em regiões e setores com forte procura por parte dos clientes. Uma das áreas de aposta é o mercado global de centros de dados.
De acordo com a comunicação, até ao final de 2026, o Grupo DHL prevê abrir mais de 10 novos armazéns na América do Norte, com uma capacidade total superior a 650 mil metros quadrados, destinados a apoiar operadores de data centers.
A empresa continua também a renovar a frota aérea com aviões cargueiros Boeing 777, descritos como mais eficientes em termos de consumo de combustível. Na sequência do programa de renovação lançado em 2019, o Grupo DHL afirma operar atualmente a frota de aeronaves de carga mais eficiente em termos de consumo de combustível do mundo.
 A modernização da infraestrutura de encomendas e envios e da frota permanece igualmente em curso. No final de 2025, a quota de veículos elétricos utilizados na recolha e entrega na Alemanha tinha atingido quase 60%. A expansão da infraestrutura visa melhorar a qualidade e integrar o crescimento da distribuição de encomendas com o serviço de correio tradicional em declínio.
O Grupo DHL mantém as previsões para 2026, apesar de antecipar que a instabilidade internacional deverá continuar ao longo do ano. A empresa espera fechar o exercício com lucro operacional superior a 6,2 mil milhões de euros e liquidez gerada pelo negócio de cerca de 3 mil milhões de euros.
Por divisões, a DHL Express voltou a apresentar crescimento dos lucros e melhoria da rentabilidade, apoiada numa gestão mais eficiente da operação e dos custos. A DHL Supply Chain registou crescimento das receitas, impulsionado por novos contratos, expansão do comércio eletrónico e maior procura por serviços logísticos integrados.
Na DHL eCommerce, as receitas foram afetadas pela integração da Evri no Reino Unido e pelos efeitos cambiais, embora o negócio tenha continuado a crescer em termos orgânicos. A DHL Global Forwarding registou uma quebra nas receitas devido à descida das tarifas de transporte, apesar do aumento dos volumes de carga aérea e marítima.
Na área Post & Parcel Germany, o crescimento das encomendas ajudou a compensar parcialmente a redução do correio tradicional, embora o aumento dos custos operacionais tenha pressionado os resultados.

