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LetterOne lança OPA sobre grupo Dia

LetterOne lança OPA sobre grupo Dia

De acordo com a imprensa espanhola, a LetterOne Retail, fundo de investimento controlado pelo empresário russo Mikhail Fridman, dona de 29% do grupo Dia, acaba de anunciar o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) pela totalidade das ações do grupo retalhista pelo preço unitário de 0,67 euros por ação, correspondendo a 56,1% mais do que o preço de fecho do mercado no dia de ontem (0,43 euros por ação).

Esta operação surge um dia após o grupo ter anunciado um plano de mil milhões de euros para Portugal e Espanha, fazendo parte de um plano abrangente de resgate, chamado ‘Tornar DIA um líder’, com o objetivo de garantir o futuro do retalhista. Além da OPA, esse programa inclui o compromisso de apoiar um aumento de capital de 500 milhões de euros, condicionado ao resultado positivo e à subsequente liquidação da aquisição voluntária e que o grupo DIA consiga um acordo satisfatório com o banco credor, com o objetivo de fornecer uma estrutura de capital viável a longo prazo.

Como terceiro fundamento deste plano de resgate, a LetterOne previu também a criação de um plano de transformação abrangente baseado em seis pilares, liderados e supervisionados pelo fundo de investimento sedeado no Luxemburgo, resultando na reconversão completa da empresa nos próximos cinco anos.

De acordo com o comunicado emitido pela LetterOne, “o plano de recapitalização de 600 milhões de euros atualmente contemplado pelo DIA não aborda os desafios estratégicos que o grupo enfrenta e expõe os seus acionistas ao risco de uma diluição significativa”. No comunicado, o fundo liderado pelo empresário russo refere ainda que “está claro que o DIA está a passar por sérias dificuldades financeiras, e a LetterOne Retail considera que precisa urgentemente de um plano de transformação realizado por uma equipa de gestão de reconhecida experiência mundial no setor da distribuição”. E salienta ainda que “a empresa precisa de uma nova visão, uma nova estratégia e uma solução financeira que resolva as exigências de liquidez de curto prazo e garanta o futuro a longo prazo do DIA”.

LetterOne lança OPA sobre grupo DiaRefira-se que em outubro de 2018, o DIA anunciou uma atualização das suas contas de 2017 e um aviso de lucro “significativo” para 2018. Esses factos, juntamente com o alto nível de endividamento do DIA, limitaram a capacidade da empresa de operar efetivamente no seu dia-a-dia e investir no futuro, como acrescenta a LetterOne, lembrando as sete quebras do rating de crédito BBB- para CCC + desde outubro de 2018, bem como a queda no preço das ações de até 89,3% nos últimos 12 meses.

Nesse sentido, a LetterOne Retail critica o plano de recapitalização indicativo de 600 milhões de euros atualmente contemplado pela companhia: “Não aborda os desafios estratégicos, de liderança e de estrutura de capital que o DIA enfrenta, e expõe os acionistas DIA aos riscos de uma diluição significativa sem uma estrutura de capital viável a longo prazo “, diz o comunicado.

O que pode trazer a OPA
Segundo a LetterOne, sob a sua liderança, o DIA pode “ressurgir como uma empresa líder no setor da distribuição alimentar em Espanha, Brasil, Argentina e Portugal para o benefício de todos os interessados, incluindo clientes, funcionários, franqueados, fornecedores, credores e acionistas”.

A LetterOne Retail confirmou que está empenhada em apoiar um aumento de capital de 500 milhões de euros, após a liquidação da aquisição voluntária, para fornecer ao DIA uma estrutura de capital viável a longo prazo, bem como para assinar a parte de expansão de capital que corresponde pro-rata e para garantir o saldo remanescente.

“A execução e garantia do aumento de capital estaria condicionada e somente será realizada após a licitação voluntária tornar-se incondicional de acordo com seus termos, e que o DIA chegue a um acordo com os bancos credores da companhia”, salienta a LetterOne.

Os seis pilares de transformação do DIA
A LetterOne apresentou um plano de transformação abrangente baseado em seis pilares fundamentais que inclui: uma nova proposta de valor comercial; reajuste de preços e promoções; uma estratégia de rede de loja apropriada; recrutar novas lideranças e desenvolver talentos internos; melhorar a execução de operações de retalho e investir na marca e no marketing.

De referir que a OPA requer a aprovação da Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNVM, o equivalente à CMVM em Portugal) e está suspensa até que, pelo menos, 35,5% da estrutura acionista aceite a oferta de aquisição, além de outras condicionantes de mercado.