Saúde

Jerónimo Martins e CUF querem menos sal em Portugal

Jerónimo Martins e CUF querem menos sal em Portugal

O Pingo Doce (insígnia de retalho alimentar pertencente ao universo Jerónimo Martins) e a CUF uniram esforços para a criação de um programa de sensibilização, a nível nacional, denominado “Menos Sal Portugal”, o qual tem a ambição de consciencializar os portugueses para a importância de melhorarem os seus hábitos alimentares em relação ao consumo de sal, salientando o impacto dessa mudança de comportamentos na sua saúde.

Na apresentação oficial desta parceria, Pedro Soares dos Santos, Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Jerónimo Martins (JM), referiu a importância desta iniciativa para o bem-estar dos consumidores portugueses, admitindo que “alimentação e retalho são indissociáveis”. “A mesa joga um papel fundamental no dia-a-dia dos portugueses”, salientando que, enquanto operador de retalho, “temos uma responsabilidade social neste campo”.

Partindo da premissa de que vivemos mais e que a alimentação está no ADN de cada português, o responsável do maior grupo retalhista português fez referência às iniciativas já em ação na Jerónimo Martins, nomeadamente, a redução do teor de sal no pão e nas sopas sem sal. “Não é fácil manter a venda dos produtos com teor de sal reduzido”, confidenciou Pedro Soares dos Santos. “No entanto, insistimos nestas vendas”, salientou, referindo ainda que “é uma questão de educação e tempo. Temos de caminhar e educar as futuras gerações”, disse.

Segundo o PCA da Jerónimo Martins, “as pessoas, além de confiarem no médico, têm de confiar nos produtos”. Por isso, mesmo, a Jerónimo Martins irá investir – entre 300 e 400 mil euros – num Laboratório ADN que irá fazer o “tracking” dos alimentos e, assim, “dar confiança aos consumidores e lidar com os desafios futuros, indo ao encontro das novas tendências de consumo”.

Com as vendas de produtos bio sem glúten a triplicarem e quadruplicarem as vendas, Pedro Soares dos Santos admitiu que, neste momento, o valor das vendas é crescente, apesar de, para muitos, “não valer a pena investir”. “Mas temos de investir”, admitiu o responsável da JM, “já que temos de estar à frente das novas tendências e hábitos de consumo dos nossos consumidores. Enquanto Pingo Doce, talvez a marca mais bem aceite pelos consumidores em Portugal, precisamos de perceber a origem dos ingredientes, como são transformados e como chegam aos nossos pratos”.

Salvador de Mello, Presidente do Conselho de Administração da José de Mello Saúde, referiu que “são parcerias deste tipo que desenvolvem o país. Apostar na prevenção e promover hábitos de consumo de vida saudáveis é um contributo que somos obrigados a dar”, concluiu.

Conceição Calhau, Professora da NOVA Medical School, Coordenadora da Unidade Universitária de Lifestyle Medicine da CUF e da NOVA Medical School e Investigadora do CINTESIS, revelou na apresentação desta iniciativa que, somente 4,4% da população portuguesa é que consome o valor de sal recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que 60% da população tem excesso de peso.

Já Jorge Polónia, Professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Professor Catedrático Convidado da Universidade de Aveiro, Investigador do CINTESIS, Médico Especialista em Medicina Interna e Hipertensão Arterial do Hospital CUF Porto, Membro da Direção da Sociedade Europeia da Hipertensão, referiu que o rim do ser humano está “programado” para processar 1g de sal por dia. “Os portugueses ingerem 10,7 gr./dia e as crianças, com menos de 10 anos, segundo os dados apresentados, consomem 7,8 gr./dia”, concluindo que “pior do que Portugal, só mesmo os países asiáticos”.

De referir que o programa “Menos Sal Portugal” inicia-se com a realização de um estudo científico inédito em Portugal, coordenado pelos investigadores Conceição Calhau e Jorge Polónia.

Esta é a primeira vez que em Portugal é feita uma avaliação e medição rigorosas à população sobre o consumo de sal, e suas consequências diretas na saúde, através de um estudo de intervenção onde serão também demonstrados os benefícios imediatos de uma mudança de hábitos alimentares na população.

Jerónimo Martins e CUF querem menos sal em Portugal

A problemática do consumo de sal em Portugal

  • A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo máximo diário de 5g de sal para um adulto e de até 3g diárias para as crianças. No entanto, de acordo com o estudo PHYSA – Portuguese Hypertension and Salt Study, o consumo de sal na população portuguesa é de 10,7g, o que corresponde ao dobro do consumo máximo recomendado”;
  • 2 Milhões é o número de hipertensos em Portugal, segundo o estudo PHYSA – Portuguese Hypertension and Salt Study – do qual o médico e investigador Jorge Polónia foi coordenador e primeiro autor em 2014 – sendo que apenas 50% destas pessoas sabem que sofrem da doença, apenas 25% estão medicadas e só 11% têm a tensão arterial controlada;
  • O consumo elevado de sal em Portugal aumenta o risco de Hipertensão Arterial, um dos principais fatores modificáveis que condicionam o excesso de mortalidade por AVC no nosso país. Um consumo médio diário de sal inferior a 5g reduz em 23% a morte por AVC e em 17% a doença cardiovascular;
  • O estudo Global Burden of Disease (GBD) em 2016, revela que os hábitos alimentares inadequados dos portugueses são o segundo fator de risco que mais contribuiu para a mortalidade precoce.
  • 2,3 Milhões é o número de mortes anuais a nível mundial provocadas pelo consumo de sal, devido a doenças cardiovasculares;
  • O que contribui para um consumo elevado de sal? Conceição Calhau explica que “o sal adicionado no momento de confeção dos alimentos contribui em 29,2%, o pão e as tostas, 18,5%, a sopa, 8,2% e os produtos de charcutaria e carnes processadas têm um contributo de 6,9%.” Acrescentando que, do ponto de vista de preparação dos alimentos, existem alternativas mais saudáveis: “A utilização de ervas aromáticas permite a redução da quantidade de sal adicionada à refeição, mas também, pela sua riqueza nutricional, em agentes antioxidantes e anti-inflamatórios, acrescenta benefícios para a saúde”.