A forma como os smartphones são utilizados e descartados após a compra é o principal fator de impacto no custo total para os consumidores e empresas, segundo um estudo da Fraunhofer Áustria, encomendado pela refurbed.
A análise avaliou o ciclo de vida de um smartphone ao longo de seis anos, considerando três modelos de consumo: circular (reutilização e recondicionamento), uso médio europeu e modelo linear de “usar e deitar fora”.
O estudo conclui que prolongar a vida útil dos equipamentos e garantir o seu correto reaproveitamento pode reduzir significativamente os custos e o impacto ambiental.
De acordo com os dados, um smartphone mantido em circulação pode ter um custo total até quatro vezes inferior face a um dispositivo descartado e substituído por um novo. Em média, a adoção de práticas mais circulares permite uma poupança de cerca de 25% no custo total de propriedade ao longo de seis anos.
No cenário médio europeu, em que o equipamento é utilizado durante três anos e posteriormente armazenado sem reutilização, os custos são 35% superiores face ao modelo circular, com o dobro das emissões de CO₂ e três vezes mais consumo de recursos naturais. Já no modelo de substituição anual, os custos podem quadruplicar, com impactos ambientais significativamente mais elevados.
Para esta análise foi considerado um smartphone de gama média com um preço de 575 euros. Entre os indicadores avaliados estão o custo total de propriedade, as emissões de CO₂ associadas à produção e o uso de recursos críticos, como o cobalto.
“Quisemos focar-nos no ciclo de vida do produto para não culpar o consumidor”, explica Paul Rudorf, autor do estudo. “Qualquer telemóvel tem de ser produzido, o que tem custos e um impacto. A grande diferença está no que fazemos a seguir”, sublinha.
O estudo surge num contexto de reforço das políticas públicas em Portugal, após a aprovação do Plano de Ação para a Economia Circular (PAEC 2030), que estabelece metas para a transição para modelos mais sustentáveis.
Segundo Kilian Kaminski, cofundador da refurbed, “ao revender, usar o telemóvel por mais tempo ou reciclá-lo devidamente, os consumidores podem poupar, no mínimo, 274 € por cada aparelho”, podendo este valor atingir 2.574 euros em seis anos ao evitar o modelo de substituição frequente.
O responsável sublinha ainda o impacto para o tecido empresarial, indicando que a adoção de modelos circulares na aquisição de equipamentos tecnológicos pode representar uma oportunidade de redução de custos. “Muitas empresas ainda seguem um modelo de compra linear, próximo do cenário ‘usar e deitar fora’”, afirma.

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