Retalho

Abrem cada vez mais lojas de rua e a culpa é dos turistas

2016 foi “um dos melhores anos da última década para o mercado imobiliário em Portugal”. Quem o diz é a consultora imobiliária JLL, que esta quarta-feira (18 de janeiro) apresentou o estudo ‘Market 360’, que para além de analisar o mercado em cada semestre, traça um retrato do imobiliário para os segmentos de escritórios, retalho, habitação, hotelaria, promoção imobiliária e investimento.

No que ao retalho diz respeito, o comércio de rua foi o segmento “mais dinâmico”, “fortemente impulsionado pelo crescimento no turismo, retoma económica e pela mudança de hábitos de consumo”, refere a consultora.

As zonas históricas e centrais em Lisboa e no Porto, com um mapa cada vez mais alargado, foram em 2016 as mais apetecíveis para as novas aberturas, assim como bairros residenciais como Campo de Ourique e Alvalade, em Lisboa.

O Chiado, por outro lado, continua a ser a localização de retalho mais cara em Lisboa (120 euros/m²/mês), mas não tem assistido a mais aberturas devido à reduzida disponibilidade de espaços, assim como a Baixa, uma das zonas que mais apetite desperta junto dos lojistas.

“Na Avenida da Liberdade a oferta tem vindo a crescer com o aparecimento de novos projetos de reabilitação, sendo esta localização uma das mais dinâmicas em aberturas em 2016, com a inauguração recorde de mais de uma dezena de lojas. À exceção da Baixa – que está agora no nível da Avenida da Liberdade (90 euros/m²/mês), as rendas mantiveram-se estáveis em Lisboa”, acrescenta o estudo.

Já no Porto, o destaque vai para a Rua de Santa Catarina, a localização prime e onde a renda aumentou para 60 euros/m²/mês, mas também os Clérigos, Aliados e Flores/Mouzinho da Silveira.

Por outro lado, 2016 foi “um ano de atividade pouco comum nos últimos cinco anos” para os centros comerciais. “Nos ativos prime, o dinamismo foi especialmente notável, o que se refletiu nas rendas, que atingiram o ponto máximo alguma vez registado (100 euros/m²/mês). Também a oferta de novos espaços evoluiu positivamente, com a entrada em funcionamento de cerca de 80.000 m2 em 2016, esperando-se que cerca de 127.000 m2 de novos espaços possam abrir no mercado nos próximos dois anos, incluindo o Évora Shopping ou o Mar Shopping Algarve, um dos maiores projetos dos últimos anos, com 90.000 m2 de ABL.

“Existem boas perspetivas para o retalho em 2017, tendo em conta o dinamismo do turismo, com especial impacto na oferta de lojas de rua, mas também nos centros comerciais, com os projetos de ampliação de ativos prime e com a própria reformulação de ativos secundários para manter os projetos apelativos para os consumidores. O interesse por parte dos lojistas quer nacionais quer internacionais é uma realidade incontestável”, explica Patrícia Araújo, Head of Retail da JLL.