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Pagamentos

Estudo aponta para pagamentos mais invisíveis, instantâneos e integrados no retalho até 2030

Estudo aponta para pagamentos mais invisíveis, instantâneos e integrados no retalho até 2030 iStock

Os pagamentos no retalho tendem a tornar-se mais integrados, instantâneos e menos visíveis ao longo da experiência de compra até 2030.

A conclusão consta do estudo “The future of global consumer payments in 2030”, da Deloitte, que aponta para um crescimento dos pagamentos digitais, tanto online como presenciais, para mais de 33,5 biliões de dólares até ao final da década, face aos 18,7 biliões de dólares registados em 2024.

 

Segundo o relatório, a evolução do setor não será uniforme entre geografias, mas há tendências transversais já em aceleração. Entre elas está a integração dos pagamentos em todas as etapas da jornada de compra através de APIs, reduzindo o peso do checkout como momento autónomo da transação. O estudo sustenta que os pagamentos tenderão a deixar de ser percecionados como uma ação separada, passando a fazer parte da própria experiência de consumo.

As carteiras digitais surgem como um dos principais vetores dessa transformação. O relatório estima que, em 2030, representem 66% das transações globais de comércio eletrónico e 45% das transações globais em ponto de venda, acima dos 53% e 32% observados em 2024, respetivamente.

 

Outra das tendências destacadas é a massificação dos pagamentos em tempo real. O estudo projeta que as transações real-time atinjam 575 mil milhões a nível global em 2028, mais do dobro das 266 mil milhões registadas em 2023. O documento refere ainda que a modernização das infraestruturas e a tokenização deverão suportar transferências de valor mais rápidas e seguras, incluindo operações transfronteiriças entre carteiras digitais.

O relatório trabalha com quatro cenários possíveis para a evolução dos pagamentos globais até 2030, definidos por dois fatores: grau de cooperação internacional e adoção da inovação. Esses cenários são “Utilitarians”, “Soloists”, “Plug and Players” e “Trendsetters”, e não são apresentados como previsões lineares, mas como hipóteses de evolução para apoiar decisões estratégicas no setor.

 

No cenário mais avançado em termos de inovação e conectividade, o estudo descreve uma experiência de compra e pagamento rápida, eficiente e imersiva, com interfaces unificadas que suportam vários métodos de pagamento, incluindo carteiras digitais, criptoativos e moedas digitais de bancos centrais.

Nesse enquadramento, os pagamentos transfronteiriços em tempo real e a baixo custo ganham relevância, ao mesmo tempo, a autenticação biométrica e a identidade digital descentralizada passam a ter um papel central.

 

Para os retalhistas, o relatório identifica a flexibilidade de pagamento como um potencial ativo estratégico. Entre as questões colocadas para este cenário está a forma como os comerciantes podem transformar a flexibilidade dos pagamentos, suportada por infraestruturas virtualizadas e atualizadas na cloud, num elemento de diferenciação e não apenas numa função operacional.

O estudo assinala, no entanto, que uma maior inovação não elimina riscos. A aceleração tecnológica pode aumentar a fragmentação do mercado, dificultar a consolidação de programas de fidelização e pressionar margens em ambientes com menor lealdade do consumidor.

No cenário “Trendsetters”, o relatório refere que a fidelização tende a ser menos estável, exigindo investimento continuado para retenção, mesmo com ofertas personalizadas e programas integrados entre plataformas.

Também a proteção de dados, a cibersegurança e a interoperabilidade surgem como pontos críticos. O documento alerta que uma maior interligação entre instituições financeiras e tecnologias comuns pode ampliar a vulnerabilidade do ecossistema a ciberataques, sobretudo quando a inovação avança mais depressa do que a capacidade de supervisão e regulação.

Noutros cenários, a evolução dos pagamentos pode ser mais lenta, mais fragmentada ou mais dependente de soluções importadas. Ainda assim, o estudo aponta que fatores como open banking, robustez da infraestrutura, crescimento das transações digitais, políticas de investimento estrangeiro, proteção de dados e taxas de fraude serão determinantes para medir a capacidade dos mercados de adotar inovação e cooperar no desenvolvimento do ecossistema de pagamentos.

 

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