O comércio em Portugal continuou a crescer em 2025, embora a um ritmo mais “moderado”, com o índice de volume de negócios a subir 3% face a 2024, num contexto de consumo mais prudente e de oferta limitada de espaços comerciais, segundo a Savills.
De acordo com a consultora, a evolução do retalho foi apoiada pela descida gradual da inflação e pela estabilidade do emprego. Ainda assim, as famílias mantiveram uma postura cautelosa nas decisões de compra.
Em paralelo, o comércio online continuou a ganhar peso, com o e-commerce em Portugal projetado para atingir cerca de 7 mil milhões de euros em 2029, mais do dobro do registado em 2020, segundo o Savills Retail Outlook 2025 | Trends 2026.
Nos centros comerciais, a procura por espaços manteve-se “robusta” num cenário de oferta muito limitada. A moda liderou a ocupação, seguida da restauração, lazer e serviços, segmentos que, segundo a Savills, contribuem para impulsionar a afluência e o tempo de permanência.
Em 2025, a afluência voltou a crescer e as vendas em centros comerciais aumentaram 4,9%, num mercado com cerca de 4,1 milhões de metros quadrados de área bruta locável em centros comerciais e retail parks.
No comércio de rua, a escassez de lojas bem localizadas continua a pressionar as rendas nas principais zonas de Lisboa e Porto. Nos eixos Baixa-Chiado, Rua Augusta, Avenida da Liberdade e Rua de Santa Catarina, a oferta permanece reduzida e os poucos espaços disponíveis são rapidamente ocupados por marcas nacionais e internacionais.
Segundo José Galvão, Head of Retail da Savills Portugal, “em 2025 assistimos a um aumento do interesse de investidores e ocupantes pelo mercado de retalho em Portugal. Os fundamentos de mercado, que se mantêm consistentes desde 2022, atraíram novos operadores e perfis de investimento, tornando o retalho um dos setores estrela do ano passado”.
E continua: “o ano de 2026 começa com incerteza a nível internacional, que paradoxalmente poderá beneficiar Portugal, graças ao seu contexto geográfico, político e económico”.
Para 2026, a Savills antecipa um mercado de retalho com “pouca disponibilidade” e “rendas prime estáveis”. A consultora prevê ainda que as marcas reforcem conceitos mais centrados na experiência do cliente e alarguem a oferta de serviços em centros comerciais, retail parks e nas principais ruas comerciais.

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