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Fraudes em pagamentos corporativos nos EUA mantiveram-se elevadas em 2024

Fraudes em pagamentos corporativos nos EUA mantiveram-se elevadas em 2024 iStock

Apesar dos esforços das empresas para evitarem ser vítimas de fraude em pagamentos, os números indicam que o problema continua praticamente inalterado em comparação com análises anteriores, com os responsáveis pelos ataques a tornarem-se cada vez mais sofisticados.

De acordo com um recente relatório da Association for Financial Professionals (AFP), que analisou tendências e práticas observadas no mercado financeiro dos Estados Unidos da América (EUA), 79% dos 521 profissionais inquiridos do setor financeiro relataram que as suas empresas foram alvo de fraudes ou tentativas em 2024, o que representa um valor praticamente igual aos 80% registados no ano anterior.

 

A ligeira redução de um ponto percentual “não é nada encorajadora”, refere o relatório da AFP, especialmente quando em 2022 apenas 65% dos inquiridos reportaram incidentes de fraudes em pagamentos.

“Está claro que os criminosos não se deixaram dissuadir pelas medidas de proteção implementadas pelas organizações”, concluiu o documento.

 

O relatório, intitulado “Payments fraud and control survey report”, destacou ainda que os responsáveis pelos ataques estão a usar a inteligência artificial (IA) “de forma muito eficaz” para direcionar as suas mensagens, dificultando a capacidade de os colaboradores distinguirem e-mails fraudulentos de mensagens legítimas.

Assim, quase dois terços (63%) dos participantes relataram terem existido incidentes relacionados com fraudes nos e-mails empresariais em 2024, sendo os e-mails falsificados a forma mais comum para estes ataques.

 

Embora algumas empresas também utilizem IA para combater fraudes, a adoção destas ferramentas ainda não é generalizada, o que ‘abre portas’ a que estes ataques possam ser bem-sucedidos, alertou o relatório.

Outra preocupação reside nas novas formas de transferências e pagamentos instantâneos que, apesar da conveniência, apresentam riscos significativos devido à natureza irrevogável das transações.

 

“Estar mais exposto a fraudes nestes métodos pode ultrapassar os benefícios da rapidez nos pagamentos”, escreveu a AFP no seu relatório.

Quanto à recuperação de fundos perdidos, os números são preocupantes, alerta a FP. Em 2024, apenas 22% das organizações conseguiram recuperar, pelo menos, 75% dos valores desviados, uma queda acentuada face aos 41% em 2023. Por outro lado, a percentagem de empresas que não recuperaram qualquer valor diminuiu de 30% para 20%.

Empresas de grande dimensão, com receitas anuais superiores a 1 mil milhões de dólares, foram as mais suscetíveis a ataques de fraude em pagamentos (83%) do que as empresas mais pequenas (73%), embora estas últimas tenham sido mais eficazes na recuperação dos valores.

Por fim, o relatório concluiu que o uso de cheques permaneceu a forma de pagamento mais frequente, com 91% das empresas a utilizarem-nos em 2024, um aumento significativo face aos 75% registados no ano anterior.

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