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Fernando Oliveira, administrador da Mundicenter: “O consumidor já não vem para passear, vem para comprar”

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Com a reabertura dos Centros Comerciais na Área Metropolitana de Lisboa (AML) marcada para dia 15 de junho, eram grandes as expectativas por ver o “novo normal” nas catedrais do consumo.

Com as reaberturas dos centros a acontecer 15 dias depois dos restantes espaços a nível nacional, a DISTRIBUIÇÃO HOJE foi ao Amoreiras Shopping Center ver como se regressa a uma normalidade anormal.

O facto é que os Centros Comerciais nunca tiveram completamente fechados. No caso do Amoreiras Shopping Center, esse foi o caso do hipermercado Auchan, farmácias, parafarmácias, lavandarias, óticas e outras lojas que se mantiveram abertas. Mesmo a restauração não se manteve de portas completamente fechadas, já que muitos espaços tiveram no home delivery e, posteriormente, no takeaway a continuação do negócio.

No total e segundo Fernando Oliveira, administrador da Mundicenter, proprietária do Amoreiras Shopping Center, “no período mais crítico estiveram abertas cerca de 20 lojas”.

Neste que foi considerado o primeiro grande Centro Comercial de Lisboa – inaugurado em setembro de 1985 – a preocupação inicial residiu, desde logo, na adoção de “práticas que garantissem a segurança para quem trabalha e visita o nosso centro”, salienta Fernando Oliveira, admitindo que “os locais mais problemáticas, não só aqui nas Amoreiras como em todos os centros, eram os super e hipermercados, onde se formavam filas”. O responsável refere, contudo, que foi uma situação “fácil de organizar, porque as pessoas também colaboraram”.

À medida que o tempo ia passando e a situação ia evoluindo, o centro melhorou a sinalética, sendo, agora, fisicamente possível dividir as entradas e saídas com sinalética vertical.

Com um reforço na sinalética, pessoal vigilante, gel desinfetante por todo o lado, também os lojistas “têm sido essenciais neste trabalho”, diz Fernando Oliveira. “Da parte dos lojistas tivemos e temos tido uma colaboração muito positiva e fundamental para mantermos a segurança do espaço”, salienta.

“Os dispensadores de gel, de forma a que as pessoas possam usar quando e onde pretendem também foi uma das preocupações e que será reforçada a partir de agora, tanto nos espaços comuns como pelos próprios lojistas numa ótica de reforço da segurança de quem nos visita”.

Em todo o Amoreiras Shopping Center foram poucos os espaços que não abriram – os cinemas são um dos casos -, mas segurança é a palavra chave para criar uma outra tão importante para quem visitava e pretende visitar de novo estes espaços: “confiança”.

“Os Centros Comerciais, e não falo somente no Amoreiras, são, provavelmente, os locais mais seguros para as pessoas estarem”, diz Fernando Oliveira, adiantando que “houve este problema todo relacionado com a abertura na zona de Lisboa, mas não se justificava”

Com a lotação máxima a estar limitada a 1.900 pessoas, sem contar com os funcionários das lojas, correspondendo a 5 pessoas por 100 metros quadrados, Fernando Oliveira justifica a sua posição de não concordância com o adiamento com a comparação que faz com “o que assistimos em certos e determinados locais, como praias, estações de serviço, esplanadas, sítios sem controlo absolutamente nenhum”. E conclui: “isso não acontece nos Centros Comerciais”.

Quanto ao impacto do encerramento nas vendas, o responsável da Mundicenter admite que “foi brutal” e dá como exemplo as lojas de moda que “tiveram três meses fechadas. É um trimestre, ou seja, uma estação”.

Isto faz com que os apoios que a Mundicenter está a dar sejam “de extrema importância para lojistas”, com os apoios a serem proporcionais aos respetivos donos das lojas.

Certo é que a taxa de reconversão aumentou significativamente. Ou seja, “as pessoas, hoje, vêm ao Centro Comercial não para passear, mas para comprar”, diz Fernando Oliveira. Por isso, “a diminuição que se tem registado no tráfego não quer dizer que se sinta nas vendas. É um tráfego dirigido, focado e de valor acrescentado, já que quem vem, vem, efetivamente, para fazer compras.

Quanto a um possível peso do turismo na atividade comercial do centro, Fernando Oliveira admite “não ser muito. Pode ser significativo nalgumas, poucas, lojas”. Contudo, onde a falta desses turistas mais se fará sentir é no Miradouro, já que “cerca de 80% dos visitantes eram turistas”.