Retalho

Canal online cresce 200% em ocasiões de compra

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Na semana em que é quebrada a barreira dos 10.000 casos confirmados de infeção com COVID-19 em Portugal, o consumo foi, em grande medida, influenciado pela preparação da celebração da Páscoa, revelando a quinta edição do Barómetro semanal da Nielsen sobre o impacto da pandemia que, na semana 14 (30 de março a 5 de abril de 2020), as vendas atingiram os 187,5 milhões de euros, correspondendo a um crescimento de 20% face ao período homólogo.

Para o ganho registado no período analisado contribui o calendário da Páscoa, que este ano se celebrou mais cedo: a 12 de abril, quando em 2019 se assinalou a 21. Apesar do contexto de quarentena atualmente vivido, nesta semana anterior à Páscoa verificou-se um crescimento (+15%) comparativamente à semana anterior, “algo que vem em linha com a dinâmica habitual para esta época do ano”, refere a análise da Nielsen.

O incremento no consumo é igualmente visível no contexto online, com um enorme impulso a ser sentido no e-commerce, indicando o barómetro da consultora que, na semana 14, o número de ocasiões de compra online cresceu 200% e aumentou 192% em novos lares.

No que concerne ao consumo nesta semana 14, “a evolução das vendas nas categorias de FMCG demonstra que os portugueses que se mantêm em quarentena têm vindo a tentar assegurar um bem-estar e cuidado consigo próprios, muito provavelmente para tentar experienciar esta nova realidade da melhor forma possível”, aponta Marta Teotónio Pereira, Client Consultant Senior da Nielsen.

Neste sentido, é mais visível a preocupação com produtos de Higiene Pessoal, nomeadamente Depilação (+31%) e Produtos para Cabelo (+20%), que entram para o ranking de maiores crescimentos de Higiene Pessoal e do Lar. Paralelamente, os produtos que se mantêm no top dos crescimentos em Frutas e Legumes evidenciam uma preocupação com a defesa do sistema imunitário: exemplo da Laranja (+115%), Limão (+98%), Tangerina/Clementina (+71%) e Kiwi (+33%).

Os valores para as vendas do retalho alimentar nesta semana 14 – a semana anterior à Páscoa – demonstram que, “apesar das restrições impostas à circulação em território nacional, os Portugueses fizeram planos para se sentarem à mesa nas suas casas para celebrar esta época central no calendário religioso e na vivência familiar”, diz a responsável da consultora.

Mesmo na situação atípica vivida, o impacto da Páscoa foi notório nas vendas do Talho, que cresceu 18%, com destaque para a carne de Ovino e Caprino (+85%).

Marca própria crescem, enquanto promoções descem
Analisando as últimas semanas, os dados da Nielsen mostram que a Marca Própria ganhou peso a partir da semana 11, momento em que os portugueses preparavam a sua despensa para “enfrentar” a permanência em casa. Se desde o início do ano, e numa realidade ainda pré-COVID-19, o crescimento da Marca Própria se situava nos 30,8%, após o início da pandemia o valor subiu para os 32,8%.

Já a tendência promocional surge com uma tendência inversa e sofre uma quebra desde o início dos efeitos da pandemia no mercado nacional. Se no período pré-COVID-19 o valor médio das vendas em promoção se posicionava muito próximo dos 50% e na primeira semana de registo do vírus em Portugal esta chegou mesmo aos 51,2%, nesta semana 14 o fenómeno de quebra é já plenamente percetível, caindo para os 32,5%.

Cada vez mais próximos
A procura por soluções de proximidade destaca-se a partir da semana 12, data em que é declarado o Estado de Emergência em Portugal e as famílias passam a ficar em casa devido ao encerramento das escolas.

As lojas Livres-Serviços ultrapassam pela primeira vez neste período a barreira percentual dos 15% de vendas em valor no conjunto de vendas registadas a nível nacional em todos os tipos de loja.

Europa a velocidades distintas
Uma análise ao contexto europeu torna evidente que as dinâmicas de consumo apresentam-se distintas, refletindo diferentes impactos da COVID-19 e respostas à mesma.

Se em Portugal, Espanha, Itália e França o pico das vendas se situou na semana 11, com incrementos menores comparativamente ao período homólogo após essa data, a situação no Reino Unido mostra um pico do consumo na semana 12 e decréscimos face a 2019 nas duas semanas seguintes. Uma distinção que pode mostrar um paralelismo com uma reação mais tardia a esta pandemia.