A HAVI Portugal antecipa um ano de viragem para a logística e supply chain, num contexto em que a pressão regulatória, a escassez de mão de obra e a exigência de operações mais sustentáveis e resilientes vão obrigar o setor a acelerar decisões estruturais. As tendências identificadas pela empresa para 2026 refletem desafios globais, mas ganham especial relevância em Portugal, onde a restauração e a distribuição alimentar operam com margens curtas e elevada exigência operacional.
Para a HAVI, a sustentabilidade deixa definitivamente de ser um projeto paralelo e passa a assumir-se como investimento prioritário. A redução de emissões, a integração de energias renováveis, a otimização de rotas e a adoção de modelos mais circulares tornam-se requisitos operacionais e não apenas metas reputacionais.
A resiliência das cadeias de abastecimento surge como outro eixo central. A instabilidade geopolítica, as tensões económicas e o aumento dos riscos digitais colocam a gestão do risco no centro da estratégia logística. No setor alimentar e, em particular, na cadeia de frio, a continuidade operacional depende de planeamento rigoroso, processos robustos e capacidade de resposta imediata a imprevistos.
O last-mile assume também um papel crítico. Em Portugal, a flexibilidade operacional, a adaptação a horários e métodos de entrega e a capacidade de responder rapidamente a variações de procura tornam-se fatores decisivos. A personalização e a velocidade na reposição contribuem para reduzir ruturas, melhorar a gestão de stock dos clientes e reforçar a competitividade dos operadores logísticos.
A tecnologia atravessa todas estas tendências. Inteligência artificial, automação, robotização, IoT e analytics são apontadas como ferramentas essenciais para antecipar disrupções, ajustar processos em tempo real e garantir maior eficiência. O objetivo é claro: cadeias de abastecimento mais ágeis, conectadas e preparadas para um ambiente de elevada volatilidade.
Por fim, a HAVI destaca o employer branding como uma vantagem competitiva direta. Num setor marcado pela escassez de mão de obra, investir na proposta de valor ao colaborador, na formação e no bem-estar das equipas é visto como determinante para assegurar produtividade, estabilidade operacional e retenção de talento, sobretudo em funções operacionais.

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