O preço é o principal fator na decisão de compra de produtos recondicionados em Portugal, segundo um estudo do Observador Cetelem.
De acordo com a análise, 53% dos inquiridos consideram que a compra de um produto recondicionado só se torna realmente atrativa quando existe uma redução de pelo menos 30% face ao equivalente novo.
O estudo indica também que, perante o mesmo preço, 33% dos consumidores preferem adquirir um produto recondicionado de gama superior, enquanto 25% optariam por um produto novo de gama inferior.
Os dados apontam para uma valorização da perceção de qualidade e desempenho, com 41% dos inquiridos a considerarem importante uma garantia superior a um ano, 40% a privilegiarem a possibilidade de devolução ou troca e 39% a valorizarem que o produto seja entregue testado e acompanhado de um relatório de qualidade.
Segundo a análise, o mercado de recondicionados já chegou a 66% dos consumidores portugueses, mas mantém margem de crescimento. O estudo mostra que 89% dos inquiridos admitem equacionar a compra de produtos usados no futuro. Para que essa intenção se concretize, os consumidores apontam como fatores decisivos preços mais acessíveis, referidos por 58%, mudanças nos hábitos de consumo, indicadas por 35%, e garantias ou assistência técnica mais fiáveis, mencionadas por 33%.
O estudo revela ainda que 62% dos inquiridos perspetivam um crescimento deste mercado nos próximos cinco anos.
Na análise por categorias, a tecnologia surge como o principal segmento de compra entre os consumidores que já adquiriram produtos em segunda mão. Segundo os dados, 45% dessas compras recaem sobre dispositivos eletrónicos, como smartphones e computadores. Seguem-se o mobiliário, com 28%, e os equipamentos de entretenimento, com 17%.
A mesma tendência mantém-se nas intenções futuras de compra. Entre os consumidores que admitem voltar a comprar produtos recondicionados, a categoria tecnológica volta a liderar, com 51%, seguida dos equipamentos de entretenimento, com 28%, e do mobiliário, com 27%.
Apesar deste potencial, a confiança continua a ser o principal entrave para os 34% de portugueses que ainda não aderiram a este mercado. O estudo mostra que 31% apontam a desconfiança na qualidade e durabilidade como principal motivo para não avançarem com a compra, enquanto 29% referem o receio de avarias ou mau funcionamento. Além disso, 25% assumem uma preferência por produtos novos e 23% indicam a falta de garantias claras como obstáculo.
A necessidade de maior segurança reflete-se também na escolha dos canais de compra. A maioria dos consumidores privilegia canais profissionais, com 60% a preferirem lojas especializadas em produtos recondicionados, 34% a optarem por grandes superfícies de eletrodomésticos e 29% a escolherem plataformas online especializadas. Apenas 15% dizem sentir-se confortáveis a comprar diretamente a particulares.

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