Retalho

Mercadona “obrigou as lojas Pingo Doce a crescer”

Programa ‘Bairro Feliz’ do Pingo Doce chega a 168 lojas

Foi esta sexta-feira (21 de fevereiro) que o Grupo Jerónimo Martins apresentou os resultados operacionais de 2019 à imprensa. Questionado sobre a entrada da Mercadona no mercado português, Pedro Soares dos Santos afirmou que teve “um efeito muito positivo” nas lojas Pingo Doce nas proximidades das unidades da insígnia espanhola.

O CEO da empresa que detém o Pingo Doce explicou que “não pretendo desvalorizar a Mercadona”, contudo, diz que “foi muito bom ter vindo” porque “obrigou as lojas Pingo Doce a crescer”.

Recorde-se que a Mercadona abriu as suas primeiras unidades em território nacional em 2019 e já anunciou a abertura de dez novas unidades em Portugal ainda este ano.

30% dos lucros da JM vão ser distribuídos pelos colaboradores

A Jerónimo Martins terminou o ano de 2019 com um resultado líquido de 433 milhões de euros, um crescimento de 7,9% face a 2018. De acordo com os resultados apresentados pela companhia esta quinta-feira (20 de fevereiro), as vendas cresceram cerca de 7,5% para um total de 18,6 mil milhões de euros.

A empresa irá agora distribuir 30% dos lucros pelos trabalhadores em prémios que irão totalizar os 137 milhões de euros. De acordo com Pedro Soares dos Santos, o valor representa um crescimento de 24% em relação ao montante pago em 2018.

Questionado sobre a distribuição destes prémios pelos 115 428 colaboradores, quase mais 7000 do que no final de 2018, o CEO da JM diz que ainda está definida. Além disso, o responsável afirmou que em 2019, 80% dos trabalhadores tiveram aumentos salariais, 13,6 mil foram promovidos e que foram investidos cerca de 20 milhões de euros em programas de responsabilidade social interna.

Contrato coletivo de trabalho? “Espero que cheguem a acordo”
Questionado sobre as negociações do Contrato Coletivo de Trabalho para o setor, que no passado dia 31 de janeiro levou à greve de vários trabalhadores do setor da distribuição devido à falta de consenso com os patrões, Soares dos Santos disse apenas que espera que “cheguem a acordo. Mas isso depende do presidente da APED e dos sindicatos”.

Em dezembro, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) anunciou que pediu a mediação do Ministério do Trabalho na negociação do Contrato de Coletivo de Trabalho para o setor da distribuição.

Segundo a APED, “a indisponibilidade negocial dos sindicatos e a pouca razoabilidade das propostas sindicais torna difícil o diálogo (…) Depois de 20 meses de processo de conciliação, a APED considera que a posição das associações sindicais dificulta a continuidade das negociações. A falta de razoabilidade das propostas sindicais, nomeadamente a mais recente apresentada pelos sindicatos ligados à CGTP e onde se propunham aumentos salariais da ordem dos 20%, torna difícil um entendimento com os sindicatos. Esta situação levou a APED a pedir o processo de mediação. A APED mantém-se disponível para dialogar e ao longo do processo negocial alterou sucessivamente a sua proposta de revisão do Contrato, sempre numa perspetiva de aproximação à proteção dos interesses dos trabalhadores, entre os quais se conta a conciliação entre a vida profissional e familiar”.