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Retalho

Lucros acumulados da Jerónimo Martins caem 18%

O grupo Jerónimo Martins (JM) registou, nos primeiros nove meses de 2020, vendas consolidadas no valor de 14,2 mil milhões de euros, correspondendo a uma subida de 3,9% face aos 13,7 mil milhões de euros obtidos no mesmo período do exercício anterior de 2019.

Estes bons resultados no acumulado dos nove meses espelham a evolução nas vendas no 3.º trimestre de 2020, indicando a JM um crescimento de 2,7% face aos mesmos três meses de 2019, passando de 4.754 milhões de euros para 4.881 milhões de euros.

Os resultados líquidos referente aos nove primeiros meses de 2020, contudo, não são positivos, demonstrando-se que caíram 17,8% face ao três primeiros trimestres de 2019, passando de 267 milhões para 219 milhões de euros, embora no 3.º trimestre o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos tenho registado uma evolução de 11,2% nos lucros, quando comprados os dois períodos de 2019 e 2020, passando de 103 milhões para 115 milhões de euros.

Já o EBITDA do grupo nestes primeiros nove meses de 2020, passou de 1.049 milhões para 1.029 milhões de euros, refletindo uma descida de 1,9% face a período homólogo de 2019.

Pedro Soares dos Santos, presidente e administrador-delegado do grupo Jerónimo Martins, refere no relatório e contas referente aos 3.º trimestre de 2020, que “estes nove meses de 2020 ficam marcados por mais de seis meses sob os efeitos da pandemia por COVID-19.Neste período, o trabalho determinado das nossas equipas e a flexibilidade das nossas operações permitiram-nos sermos ágeis e criativos na adaptação necessária das propostas de valor das nossas insígnias em condições de mercado especialmente complexas”.

O responsável máximo pelos destinos do maior grupo retalhistas português refere ainda que “ao longo destes meses, a força do nosso balanço tornou possível que não perdêssemos, na urgência do curto prazo, a perspetivado longo prazo e que nos mantivéssemos firmes nas prioridades estratégicas definidas”.

Pedro Soares dos Santos diz-se ainda “consciente de que a incerteza permanece muito elevada e que o Natal, época tradicionalmente mais forte para o negócio alimentar, poderá estar este ano condicionado pelas restrições à mobilidade e pela falta de confiança e capacidade de compra de um consumidor cada vez mais sensível ao preço, derivado do momento único que se vive a nível mundial”.

3 geografias, 3 performances distintas
No que toca às diversas operações nas três geografias onde opera, a Biedronka registou receitas de 9.909 milhões de euros, correspondendo a uma subida de 7,3% (em euros) face aos nove meses de 2019, enquanto no 3.º trimestre, esse aumento, foi de 6,4%, atingindo os 3.374 milhões de euros.

O peso da operação polaca da Jerónimo Martins atinge, assim, os 69,8% nas vendas consolidadas do grupo, terminando a “joaninha” os primeiros nove meses com 3.047 lojas e ter realizado, neste período, 106 lançamentos de marca própria.

Também na Polónia, a Hebe, insígnia de saúde e beleza da JM, manteve-se estável no final dos 9 meses de 2020, com uma ligeira subida de 0,1% nas vendas face ao mesmo período de 2019, sendo que no 3.º trimestre de 2020, as receitas aumentaram 3,5% face a período homólogo de 2019, passando de 63 para 65 milhões de euros.

Com a operação a ser fortemente impactada, no segundo trimestre de 2020, pelo encerramento dos centros comerciais, o terceiro trimestre já registou uma melhoria no desempenho, destacando a JM as vendas da loja online, que começou a operar em julho de 2019, registando um “crescimento significativo”.

Em território português, as receitas do Pingo Doce no acumulado dos nove meses de 2020 registaram uma quebra de 2,3% face aos mesmos meses de 2019, passando de 2.912 milhões para 2.844 milhões de euros. Esta quebra foi, igualmente, registada no 3.º trimestre, embora em percentagem menor. Na realidade, as vendas do Pingo Doce no 3.º trimestre caíram 1,2% relativamente ao mesmo período de 2019, passando de 1.019 milhões para 1.006 milhões de euros.

Com um peso de 20% nas receitas globais obtidas pela JM, as 450 lojas Pingo Doce estiveram particularmente exposto à redução da circulação de pessoas (limite de 5 pessoas em simultâneo por cada 100m2), quer pelo seu histórico de grande densidade de vendas e elevado número de visitas, quer pelo impacto que a ausência de tráfego tem nos restaurantes, cafés e na categoria de take-away da insígnia.

A operação grossista do Recheio, por sua vez, sofreu, naturalmente, com o encerramento do canal Horeca. Assim, as vendas acumuladas dos noves meses de 2020 registaram uma quebra de 15,6% face a período homólogo de 2019, passando de 757 milhões para 639 milhões de euros, com o 3.º trimestre ainda a ser mais penalizador para a insígnia grossista, com as vendas a diminuírem 17,5%, atingindo os 240 milhões de euros, comparando com os 291 milhões de euros de período homólogo de 2019.

Viajando até ao outro lado do Atlântico, as medidas de confinamento mantiveram-se em vigor desde o início de abril até ao final de agosto, com forte impacto na economia. Em setembro, o país iniciou o levantar progressivo das medidas restritivas e registou-se o regresso das pessoas à circulação e o final do recolher obrigatório na generalidade dos municípios.

Assim, as receitas da Ara aumentaram no global dos nove meses (+9,9%), atingindo os 615 milhões de euros, sendo que no 3.º trimestre, a performance foi negativa, caindo 5,6% para 192 milhões de euros.

Com um peso de 4,3% nas receitas globais do grupo, entre janeiro e setembro, a companhia adicionou 33 novas unidades (25 aberturas líquidas) à sua rede, que no final do trimestre contava 641 lojas.

A visibilidade sobre as condições de mercado para os próximos meses, que incluem a época do Natal, “mantém-se reduzida no contexto do incerto desenvolvimento da situação epidemiológica e das medidas que continuam a ser implementadas nos mercados em que operamos, antecipando-se restrições à mobilidade a nível global”, salienta a JM.

Não obstante, o grupo admite-se “agora mais preparados para garantir uma resposta adequada aos desafios que ainda possam surgir”.

No que se refere ao plano de investimentos, e beneficiando de uma gestão menos restritiva da crise sanitária na Polónia, a Biedronka “foi a companhia que mais rapidamente retomou o plano original, tentando imprimir um ritmo de execução compatível coma recuperação dos atrasos na expansão”.

Assim, se as condições no sector da construção não se alterarem, a Jerónimo Martins espera que a Biedronka acrescente à sua rede de lojas “mais, cerca de,100 localizações”, enquanto o Pingo Doce espera abrir “cerca de 13 lojas” e a Ara “mais 50 pontos de venda. Desse modo, o valor estimado de capex para o grupo, em 2020, deverá rondar os 450 milhões de euros.