O grupo Jerónimo Martins (JM) registou, no primeiro trimestre de 2020, vendas de 4.715 milhões de euros, correspondendo a uma subida de 11% face a igual período de 2019, indicando, em comunicado, que o mês de março “foi já de desaceleração, com as medidas de confinamento motivadas pelo COVID-19 a impactarem as últimas semanas do trimestre”.
Os lucros do grupo liderado por Pedro Soares dos Santos, contudo, desceram 43,8% relativamente aos primeiros três meses do exercício do ano passado, cifrando-se nos 35 milhões de euros.
O EBITDA cifrou se, por sua vez nos 309 milhões de euros, 04% abaixo do registado no mesmo período em 2019, indicando o grupo que os custos incorridos nas duas últimas semanas de março relacionados com o reforço das condições de segurança para colaboradores e clientes em contexto de pandemia global “são estimados em 15 5 milhões de euros”.
Analisando a performance do grupo nas diversas geografias, verifica-se que todas elas registaram crescimento nas vendas, refletindo evoluções “muito expressivos” em janeiro e fevereiro e um mês de março “em desaceleração, com as medidas de confinamento a impactarem as últimas semanas do trimestre”.

Na Polónia, a Biedronka registou um aumento nas vendas de 12,6%, face ao mesmo período de 2019, para os 3,3 mil milhões de euros, com o crescimento Like-for-Like (LfL) a ser de 11,1%.
Ainda a Leste, a Hebe aumentou as vendas em 14,6% para os 64 milhões de euros, impactada pelo desempenho de março, já no contexto de pandemia. Destaque para operação de e-commerce que cresceu cerca de 50% no 1.º trimestre deste ano, face a igual período de 2019, impulsionado pela forte aceleração registada no 3.º mês do ano.
De referir que, para assinalar o 25.º aniversário da Biedronka, no dia 11 de março, o grupo lançou, em Varsóvia, a Fundação Biedronka com o objetivo de desenvolver programas de apoio aos idosos em situação de vulnerabilidade, num país fortemente marcado pelo envelhecimento demográfico A contribuição, que se prevê anual, foi de cerca 11 milhões de euros
Em Portugal, o ano arrancou “com uma envolvente de consumo positiva”, como mês de março a marcar o trading-down. Neste ambiente, o Pingo Doce cresceu as vendas totais em 3,5% para os 936 milhões de euros, incluindo um LfL (excl. combustível) de 3,5%.
A operação grossista do Recheio, por sua vez, registou vendas de 214milhões de euros, correspondendo a uma subida de 0,2% em relação ao 1.º trimestre de 2019. Com o encerramento do setor da restauração e a paragem do turismo, a partir da segunda metade do mês de março, as vendas ao canal Horeca foram impactadas.
Por último, na Colômbia, com as medidas de confinamento no contexto da pandemia mundial a começar somente no mês de abril, a Ara aumentou as vendas, em euros, 38,9% para os 235 milhões de euros, incluindo um LfL de +34,3%.
Quanto ao futuro da operação, Pedro Soares dos Santos, presidente e administrador-delegado da Jerónimo Martins, refere que o grupo “continuará focado em acompanhar de perto as operações num contexto que é muito dinâmico e difícil, e que exige um enorme nível de compromisso e de flexibilidade das nossas equipas”.
Certo é que, em função da informação de que o grupo dispõe permite concluir que “todos os negócios serão impactados por esta pandemia, dependendo o grau e a profundidade dos impactos do tempo que durarem os seus efeitos e as correspondentes restrições e medidas de condicionamento adotadas nos diferentes países”.
Por isso e dada a imprevisibilidade atual da evolução da pandemia, o grupo não avança com qualquer estimativa válida sobe o impacto potencial desta crise na atividade do ano.

